segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Adeus

Adeus. Mais uma vez.
O fim se desdobra, inevitável
Não há mais sentido a escrever
Depois de tudo o que se fez
Me sinto mais só do que nunca.
Não é bem preciso rimar
Provavelmente isso não será lido.
Escrevo isso por que sinto o tempo acabar
Sinto que algo morre a cada dia
Nessa "agridoce sinfonia"
Que já não tem muitas notas a tocar
Sou covarde demais para dar a última nota
Mas sinto que a vontade morreu.
Amor, alegria, amizade, confiança.
Eu mesmo os matei em queda
Os colocando num pedestal tão alto...
Se minhas entranhas suportassem álcool
Esse veneno de tantos
Já teria morrido desidratado...
Qualquer fuga diminui o fardo
De não se acreditar em nada.
O "nada" não se trata de Deus
E sim dos homens.
Queria exílio, mas quando realmente ficar sozinho
Sem meus pais, sem esse afago
Que às vezes protege, as vezes fere
Conseguirei me manter são e vivo?
Não me sinto seguro perto de ninguém
Me machuco com minhas próprias garras
Para não desferi-las em quem não merece.
A linha entre prazer e dor afinal se rompeu
E a dor prevaleceu, inestimável.
Enfim, é só mais um Adeus.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Máscara

Você só me mostra sorrisos
Mas ninguém é feliz o tempo todo.
Você só me mostra lágrimas
Mas sabe sorrir mais um pouco.
Você só me mostra problemas
Mas já virou tantas e tantas páginas.
Você não vê problema algum
Paga dívidas sem receber troco.
Ninguém é transparente como água
Desconfiamos de tudo e de todos
Palavras nunca valeram nada
Tantos perdem as mãos no fogo
Mas eu não procuro máscaras
Não procuro fazer nenhum jogo
Se não vai me dizer quem é
Depois de tanto me expor como qualquer
Não sou digno de qualquer consolo
Ou de qualquer conselho
Seguiremos conhecidos como somos
Até que você finalmente se encontre no espelho.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Discórdia

Opinião minha de não opinar
Torna-me menos contraditório
Menos falso, menos ilusório
Que qualquer vil demagogo
Que agora está aos ares gritar.
Perco a fé nas pessoas de perto
Pois tornam o que seria "secreto"
Em algo vazio, em discórdia
Não se respeita opinião alheia
Não se dá a mão à palmatória
Todos falam em melhora
Mas ninguém precisa melhorar
Está à mostra a real face dos homens
Não no que acreditam
Mas no que não se permitem acreditar
O conceito de bem comum foi deturpado
Tua raiva, tua febre, teu sarcasmo
Tua cólera e espinhos afiados
Frutos podres do ato egoísta de disputar
Que venha então o circo de ratos
Que venha o mais sujo dos espetáculos
Já que ninguém vê por trás das cortinas
Mas todos se encantam com o teatro
Que nos apertem ainda mais os cabrestos
Nos façam lutar entre si em desespero
E aquele que vencer e encerrar o último ato
Que salve-nos de nós mesmos.

domingo, 14 de setembro de 2014

Água com açúcar

Acho que surpreendeu-se com minhas mãos e com meus lábios
Bem, usar de carinhos com cuidado me é um velho hábito
E eu ri quando ela disse que devia estar com mal hálito
Por culpa do seu gosto, pouco aprovado, pelo cigarro
"Oras, fique a vontade. Teu gosto é mais doce que amargo."
E me disse que usava gírias e que gosta de desenhar
E eu, com meu vício sonoro quase não podia lhe escutar
Então compartilhei de seu calor com desajeitado abraço
Eu só em pele, enquanto ela passava frio com três casacos
Me contou seu gosto por coisas simples e naturais
"Comer, dormir, correr... tanta coisa... ah, lutar!"
E, com a minha mania de constranger ao lhe admirar
Talvez não me venha me falar nem me ver mais
Não sei nada de amor, sorte, azar, destino, acaso
Só queria lhe conhecer melhor, ter mais momentos pra lembrar
Queria ouvir-te dizer novamente, sorrindo em descaso
"É agora que o mundo pára pra que a gente possa se beijar?"

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Credor

Tens-me junto a ti em mero devaneio
Outro de todos os sonhos que já inventei
Ter-te aqui, comigo, por puro anseio
Puro capricho, solidão, desespero
É uma das poucas formas de paz que sei
E se há melhor jeito, desconheço.

Nunca abracei solitude
Nem por vencido me dei
Mas entre meus traços rudes, percebo
Que não voltarás enquanto viver
Por meu amargo pecado de lhe esquecer
Por orgulho, por deixar-me muito cedo.

E de todas as promessas e medos
Jaz aqui cicatriz que fizemos sem saber
E o que é dito sobre justiça e sua escassez
"E se afoga em ódio quem não carrega o Terço"
Cínico e cego, na última carta reescrevo
"Aqui ainda será pago ao que se fez".

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Ela

Inocência em pele de cordeiro?
Você que me diz, eu não sei, logo
Gosto de suas mãos macias como novelo
E de como silencia quando lhe toco...
Do sorriso de menina, do riso sapeca
De como me olha cansada do dia-a-dia
Mas ainda se mantém viva, desperta
Em frente à sorte do futuro pouco otimista
E de como sofre por quem ama, inquieta.
Não és minha amada, não crio tal quimera
És uma bela surpresa em meio às rotinas da vida
Quando valor e beleza não é o que se espera
Assim como beijos nas mãos, na partida...

domingo, 17 de agosto de 2014

Direto

Creio que a casualidade será sempre o maior mistério
Quando o que bem surpreende também pode lhe ferir
Se pudesse pegaria sorte, azar, destino e acaso, incrédulo
Me esconderia, antes de sumir com tudo isso daqui
Talvez encontrasse paz, mesmo que à fogo e ferro
Trocaria toda a angústia e desespero por nada a sentir.

Meloso...

"Meloso", ela disse
"Meloso", eu me nego
Terias a mesma opinião
Se fosse dona do poema singelo?
Num mundo cru e oportunista
Com raras demonstrações de afeto
Fico feliz a um mero sorriso
Me sinto vivo a um olhar sincero
Que esperas da vida, afinal?
Que serias sem tudo que há de belo?
Dentro e fora de nossas vidas
Entre o seu mundo e todo o universo?
Há muitas formas de amor, minha cara
Primeiro o vivo, primeiro o conheço.
Se quiser, depois, o deserdo.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

"O que fizemos com nossas próprias vidas?"

Estou cansado de olhares tortos
Esperando sorrisos emprestados
Eu sei, "de novo esse papo..."
Pois é, vamos ressuscitar os mortos!

Sabe aquele medo de morrer sozinho?
Sabe aquela ideia de eterna solidão?
Então, não que se importe, mas acho que não tenho mais não
Mesmo assim, coloque seu descaso no seu devido orifício.

É tão mais fácil fazer cara feia
É tão mais fácil ficar fazendo "poeminha"
Todo mundo quer que eu ande na linha
Afinal, o que não rima não é lido, é besteira
Eu sei, eu puxo conversa à toa, cara chato
Mas se me ignora, espere ser ignorado.

Já aprendi a não subestimar ninguém
Cada pirralho é um inimigo em potencial
Temos dois conceitos: o que é e o que não é normal
Todo jovem quer ser o primeiro, amém.

Só que o tempo passa pra todo mundo
"HA VÁ?", você vai cuspir em vez de dizer
Deixa eu terminar, deixa de ser você
Ignorância é porta a fora, chega de insulto.

Se não morre antes, cresce e envelhece
Pode ser rico, pobre, bandido, herói, político
Feliz, estressado, raivoso, triste, depressivo
Mas vai morrer, mesmo depois de tanta prece.

Então para que tudo isso?
Pra que sofrer, se o fim é sempre o mesmo?
Por que se importar por todo o apreço?
Eu não sei, eu não sei, eu não sei nada disso...
Não estaria escrevendo se soubesse mesmo...

Quem não é preso é livre
Mas o livre é arbítrio!
Eu acredito no que eu quiser, vivo ou fictício
Sou a soma de tudo que existe.
Um tanto burro, ego inflado
Invejoso, ciumento, tapado
Mas chega de elogios
Fatos são fatos.

Por isso, amigo incrédulo
Se acalme, porque pode vir muita coisa ainda
Esse livro tem mais páginas a queimar do que gasolina
Mesmo que morras na estrada, ó meu querido ego.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Books

Life is like a book
With others, in a shelf
Standing with time's bookend
To let it fall, in the end

Would you let me take yours?
Would you try to open mine?
Would you still be my friend
After read every line?
"I'll try..."

It doesn't starts in page four
Have no dedications, no brief
Every dot's a little breathe
To start again and again
"Until the end..."

How many more times you'll read
The same quote I wrote years ago?
"If you love me, let me go"
The paper with the marks of your tears
Coffee, sweat, your fingertips
But the mistakes are still mine...
My blank pages with no dead lines
Nightmares come in the lines I skip
The words I should, but don't use
The feelings I chose never feel

A quem ler

Sabe o que eu penso sobre tudo isso?
Política, religião, humanidade, vício?
É que no fim das contas e das dívidas
Perco tempo demais me preocupando, não vivo
Uso o meio virtual por alguma mera companhia
Mas só vejo superficialidade e vidas vazias
Tua cara editada não me diz nada, não tem vida
Só me machuco com o mundo mal resolvido.
Com gente que julga demais e não oferece abrigo
Com gente que cita o que um homem disse algum dia
Mas não segue seus passos e seus princípios
Intolerância, raiva, ignorância, hipocrisia.
Vejo beleza nas ruas quando estão vazias
Sem a ansiedade e fúria do trânsito assassino
A felicidade está em quem chega primeiro vivo?
Não, no fim não há nada disso.
Os corredores nem sabem por que estão correndo
Seu problema é sempre mais sério que o alheio
Acidente é só uma remota possibilidade, frívolo.
Não confunda trabalho com limitação física
Não estacione no lugar que alguém realmente precisa
Olhe além do teu próprio umbigo
Ou arranque do pescoço bendito crucifixo
Não se venda, não se contradiga
Agora, lá fora, mil folhetos e cavaletes de lixo
Mil rostos convincentes em mil belos artifícios
Quando o desespero por mudança em tudo acredita
Quando falsos messias adentram pobres vidas
Quando o que te corrompe parece divino
Quando Deus é a própria serpente viva
Quando o homem convence com palavras que é bom
Só por ser bom com palavras, se justifica
Furemos, então, nossos olhos e ouvidos
Saberemos, então, se o homem nos salvará
Ou nos matará na escuridão e no silêncio da própria agonia.

Eu não aceitarei teu Deus goela abaixo
Eu não venderei meu voto à teu candidato
Eu não aceitarei tua ignorância por amizade
Eu não lhe julgarei por estar no caminho errado
Mas não lhe darei meu sorriso sem tua humildade.

Não me olhe assim, com negro assombro
Penso muito sobre tudo o que digo
Não se preocupe comigo, apenas respondo
O que eu penso sobre tudo isso...

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Problema

O problema é que todo mundo tem muitas companhias quando você não tem nenhuma
 - Não quer dizer que sejam boas companhias.
O problema é que todo mundo vem falar com você quando está ocupado
 - Vieram TRÊS pessoas, pareceu muito pois estava muito ocupado.
O problema é que não conheces pessoas novas, como os outros
 - Nem todo mundo vai com a tua cara, e você não vai com a cara de todo mundo.
O problema é que quem te dá atenção não lhe é interessante
 - Tens que dar mais uma chance, já que você queria uma.
O problema é que quem lhe é interessante não lhe dá atenção
 - Não quer dizer que vão lhe dar a chance que tanto quer.
O problema é que quer ser tratado como igual, mas não trata à todos assim
 - Cada um de nós é um universo de interpretações.
O problema é que sai sempre sozinho, por que ninguém que chamas quer sair
 - Tente chamar outras pessoas.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Tudo passará

Você começa conversas sem respostas
És emissor, sem receptor de presente alma
Se preocupa não... não é bola fora
Apenas falas com as pessoas erradas...
Pode ser um cabra de idade avançada
Ou jovens que trocam o pensar pela fala
Mas liga não, tem gente boa lá fora
Não procures. Quando menos esperas, achas!

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Nada de Mais

Todo mundo gosta de atenção
E companhia à diversas horas
Pitadas bem dosadas de solidão
Pôr a cabeça no lugar, ir lá fora
Respirar ar puro no silêncio são
Esquecer cotidiano medo que aflora.

Às vezes dou o ponto de partida
Ou deixo tudo vir à tona em vão
Não confundo desespero e adrenalina
Ou álcool com sorriso e compreensão
Entendi que só me afogo se respiro
Caminho, esvazio cabeça na ida
Na volta é que penso em tudo isso.

Metal e sangue tem mesmo gosto
Alcalino, como primeiro beijo
Memórias se acendem como fogo
O que me acende é o imperfeito
E as ilusões de entendimento novo
Famosos alvos de desgosto alheio
Não espero que entendam o conceito
Agora, tudo tem seu momento
O que você sente é o que importa
Mesmo que lhe façam mal julgamento.

Eu não espero nada além disso
Que venha serenidade e confusão
Do dia-a-dia que criamos cínicos
Que venha o acaso em solução
Que venha ao menos um amigo
Vida, não termine estrofe sem refrão.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Sincera Busca

Estou procurando alguém por aí
Atravessando ruas, olhando pros lados
Seguindo meu próprio compasso
E, por isso, com medo de não enxergar 
Quando esse alguém passar...

Estou buscando companhia 
Para fim de noites e, também, de dias
Alguém que ofereça serenidade
Tréguas em brigas e tolerância realista
Que me perdoe enquanto não sair da linha.

Estou na procura de paciência
E de plena compreensão, ciência
Sem que minha língua canse de explicar
Sem que os tímpanos fadiguem
Ao ouvir, sem escutar
Usar olhares com mais frequência.

Busco alguém com limitações
Fraquezas, defeitos e confusão
Razão e loucura quando necessário
Teimosia ao negar verdadeiros fatos
Como todo ser humano são
Com variações que me permitam compreender
Tolerar e ajudar melhor que o resto da multidão.

Quero alguém que me permita ser natural
Me permita ser melhor, afinal 
Sem mudar o que gosto em mim
Meus sonhos e gostos, enfim
Ser verdadeiro sem ter medo.

Estou buscando um sonho, sim
Estou buscando uma ilusão, assim
Usando várias variáveis definidas
Como sempre busquei, no entanto
Guardando o melhor das passadas tentativas, portanto
Ajustando meu coração entre o que ele quer
E o que realmente precisa.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Por fim

Estou querendo largar dessa vida
De se falar demais e ouvir de menos
De se trocar sorrisos por vogais
Consoantes, pontos, vírgulas e lamentos.

Estou buscando formas mudas de expressão
Desligar motor e deixar velas ao vento
Tratar o que importa apenas como sou
Sem reprimir quem você é, fora e dentro.

Estou querendo deixar fechar os olhos
Proteger ouvidos, nariz, boca, pele, pelos
Respirar só o ar necessário à volta
E jogar fora todas as tristezas e medos.

Estou querendo desligar os neons
Lâmpadas e artificialidades à luz do dia
Vejo tudo o que preciso também no escuro
Mas quem não vê não quer me perder de vista.

Estou querendo ouvir quem tem algo a dizer
A quem não, pôr meus fones de ouvido
Música ao invés de falta de sensatez
Nos salvaria de toda dor e ódio reprimido.

Estou querendo dizer de uma vez por todas
Por mil músicas e poemas sinceros
Não sou melhor nem mais certo
Me afasto pelo bem de todas as coisas
E quem me quer bem como me quero
Abaixa armas, escudos e intolerância insossa
Busco manter sempre bem perto.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Two simple letters

May I spend the rest of my life on it
May I find a drop of simple solution
May she learn how to use her fist
May she start her own conclusions
May I think too much about it all
May he lose his mind in his evolution
May he meet someone else in the streets
May someone else stop his confusion
May I help them being myself
May them forget me like another illusion
Say "it's something, it's no fraud, no test"
Say "I don't need no one, like all the rest"
Say "stop silly stories, it's all over now"
Say "I don't care for what beats in your chest"
Say "'May' it's not even a word"
Say "take it out, get over it, split it up"
Say "if you love me, love yourself first"
Say "you're not even part of my world"
Say "why are you reading this?"
Say "good bye, not even close"...
Many hard meanings, two simple letters
Really hard to stick together

domingo, 6 de julho de 2014

"Whiskey is water, and water is wine"

Ser cuidado por quem cuidas
Esperar o afeto recíproco efetuado
"Se sentir mais solitário ao lado de uma pessoa, 
Do que quando se realmente está sozinho, 
Isso realmente me faz pensar..."
Sim, esse trecho é copiado
Peço desculpas por expor seu desabafo
Mas reflete o que já senti
E que muita gente já sentiu, lado a lado
"Antes só que mal acompanhado"
O clichê nos segue a se arrastar
Pois a nova velha história é reescrita aos pedaços
Incessantemente, e triste, sorri
Dependendo de, apenas você
Definir quando deverá parar
Se você não se valorizar
Quem é que vai?
Talvez tudo melhore
Talvez o cego passe a enxergar
Talvez você mostre a ele seus erros
E ele abaixe a cabeça, sem exageros
Seja humilde e perdoado
Por mais indiferente ao seu simples "estar"
Peço desculpas se me intrometi demais
Se já falei demais sobre o assunto
Ele é seu, pertence a ti daqui ao túmulo
Apenas aprecio poemas, nada mais
Já fiz vários, mas pela primeira vez
Sinto que tenho motivo dedicado a escrever
Por não se tratar de nada banal, abstrato
Mas de alguém que admiro, de fato
Que sente dor sem merecer

Quando o fim chegar

Me escute se quiser
Me suporte, se aguentar
Me mande embora se não
Me estenderás novamente a mão
Se já a mordi por fraquejar?
Você entende o que digo?
Você gosta do que lê?
Não abaixe a cabeça por vergonha
Me encare com tudo o que te assombra
Faça o que tem que fazer
O Verão já acabou, esvaneceu
Alcançamos a má sorte variável
O acaso, eternamente vulnerável
Me trará a doença daquele que já faleceu
E quando isso acontecer
Quando o medo da morte dominar meu ser
E tirar o peso dessas palavras
Me proteja como o ser fraco que sou, eu
Que acha que pode encarar o mundo com ameaças
Que padece por minúscula praga
Que pode a qualquer instante enlouquecer

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Abrigo

Leve-me para longe daqui
Onde a noite não me encontre
Onde o Sol esteja sempre a frente
E a escuridão em minhas costas
Leve-me para o lugar mais alto
Onde eu possa ver o céu vermelho
E as primeiras estrelas a caírem dele
O fim das perguntas e pesadelos
Da carência de respostas, tempo e traças
Me leve para além do medo
Alem do caos e do desespero
Alem de tudo o que eu receio
Encontrar em minha casa

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Sinceramente

Um esteriótipo, um equívoco
Um feminista ávido a quebrar corações
Um fumante "consciente"
Um hipócrita, um romântico
Um erro, uma fraqueza
Um mal político dentro de uma igreja
Um demagogo em meio a mudos
Um medo, um mal olhado
A inveja e seus verdes lábios
Um ladrão, um mentiroso
A vingança e seu doce gosto
"Não leve a mal", indiretas
Eu posso ser tudo isso
Você pode ser mais um pouco
Lhe ofereço espinhos, cínico
Me oferece abraços, me quer morto
E depois me consideram louco
Não busco desagradar ninguém
Não quero destruir nada belo
Se não há nada belo a ser destruído
Também não sei o que quero
Isso me torna perigoso?
Não somos assim tão diferentes
Não é o que espero
Só peço, de uma vez, humilde
"Vá para o inferno."

Passional

Quando todas as bobagens importam, e o resto, não
Quando uma música te conta algo sobre você que nem sabia
Quando palavras são tão fortes e verdadeiras a descarecer rimas
Quando sente que a tempestade se tornou seu melhor abrigo
Quando os medos parecem passados pesadelos de outrora
Quando quem te machuca passa a te cicatrizar
Quando as fantasias, ironias e ilusões beiram o real
Quando se dá o tempo e o luxo a ler versos de estranhos
Quando a vida parece ter mais do que regras e fronteiras
Quando pensar em alguém te aquece mais que o próprio fogo
Quando a cegueira parece mais terrível que a morte
Quando o tempo parece parar pra te desejar "Bom dia"
Quando olhos fechados enxergam mais que abertos
Quando coragem e imaturidade te permitem dizer o que pensa
Quando um belo sorriso eterniza uma memória
Quando a beleza flerta com o calor de um olhar de mulher
Quando você ganha esse sorriso entre tantos olhares severos
Quando parece que você nunca sentiu dor na vida
Quando parece que nunca vai sentir novamente
Quando sabes que isso vai durar apenas hoje, ou nesse instante
Mas sabes que tampouco uma vida inteira seria o bastante...

domingo, 15 de junho de 2014

Wide Open

Apreciar o que se gosta é fácil
Difícil é abrir a mente para entender o gosto alheio
Em um mundo parcialmente individualista
Onde a maioria não liga para conceitos
O verdadeiro desafio está em abrir os olhos
Ouvidos e opiniões
A tudo o que eu ainda não conheço
Peço desculpas a tudo que julguei muito rápido
Sem dar atenção a suas qualidades e traços bem feitos
Por não agradar meu gosto e orgulho "perfeito"
Tão rápido quanto minha impaciência tornou meus atos

Sins e nãos

Podemos sair por aí
Forçar olhares e amizades
Esconder nossas vontades
Por bobagens e atenção
Posso ser quem você quiser
Por amarelo sorriso ou falsa afeição
Posso bancar teu espelho, autorretrato
Andar contigo na contra mão
Só por poder andar...
Não leve a mal
Tenho minhas bobagens também
Pouco aceitas, pouco vistas
É difícil ser você mesmo
Quando o mundo vira as costas ao que acreditas
Mas sem mais choradeiras
Sem mais medos à negação
Há tantos dias ruins quanto bons
Deve haver alguns sins
Em meio a tantos nãos...

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Conversa Inventada

De todas as frequências
Diga que é a que mais lhe faz falta
Fale com ela com excelência
Mas não me dirija a palavra
Nem me use como referência
Fonte confiável, outros tempos
Não sou mais querido
Indiferente a nem levar apelidos
Inútil até para lamentos
Mas não falemos mais de mim
Nem se quer toque meu nome
Use o seu, mostre interesse como homem
Que a quer sem justificar
Cuide sempre com as palavras
Elas podem lhe calar.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Mais um pouco...

Eu posso fechar meus olhos e te ver sorrindo,
Sentir teu perfume e toque.
Eu vejo o Sol deitar no horizonte por mais um dia que termina,
Enquanto imagino se a noite me trará você novamente
Como o ontem me trouxe.
O passado me ensinou coisas,
Como não se há garantias e abrigos no amor e seus belos bosques.
Mas confesso que, sonhador,
Espero conhecê-los e neles encontrar teu coração
Me aventurando pelo curvo caminho de teus lábios
Até o fim de nossas mil e uma noites

quinta-feira, 10 de abril de 2014

História

Olhe agora
Tem tanta gente la fora
Procurando ajuda
Procurando últimos traços de ternura
E todo o amor que foi embora
Os sonhos, insólitos como nuvens
Que se fazem chover nas ruas
Tornando espelho o negro piche
Entre pedras e fraturas
Há tanta história...

terça-feira, 8 de abril de 2014

Crescer

Começo a entender um pouco mais a cada dia.
Começo a perceber tudo o que deixamos pra trás.
Não se trata de estar vivo um dia a menos ou a mais.
Não se trata de dar um pleno sentido à uma vida vazia.

Eu me arrisco e faço as besteiras de sempre
Apenas esperando que o acaso me salve novamente
Você há muito me disse: “isso é bobagem!
NADA te cuida ou te vigia fora de tua mente!”

Mas eu gosto de continuar experimentando
Gosto de me dar ao luxo de fazer as coisas por impulso
Gosto de acreditar que não preciso ser tão recluso
Gosto de ser o limite entre o garoto e o homem adulto
De encarar no espelho quem está realmente me desafiando

Não me importo mais com minha importância nesse mundo
Não me importo mais com Deus, Morte ou Diabo
Algo caminha comigo eternamente a cada passo
E ninguém tem o direito de condenar isso absurdo
Pois ninguém me garante, por mais astuto
Que sonho e realidade não são um mesmo plano abstrato…

quarta-feira, 26 de março de 2014

Além

Sente o vento correndo por tua pele
Tentando fechar teus olhos de esmeralda
Um cílio se perde na imensidão do espaço
Que há entre nossos corpos nesse fim de tarde
Que não tarda
O fim do dia não demora, sempre em compasso
O inverno encurta os dias e a noite os abraça
Mas você já não está em meus braços...

Entre folhas secas caindo no chão frio
Nossos passos cobertos e apagados pelo tempo
Ainda estou com você, mas só me vê amigo vil
Como as árvores despidas e galhos ao sereno
A paisagem me faz sorrir, me inspira arrepio
Enquanto olha pálida meus dedos em movimento
Escuta triste minha melodia esperando silêncio
Me faz parar com um olhar vazio

Teus olhos agora cinzas em luto lamento
Me fazem crer que já estou sozinho
Sou apenas mais uma lápide
Em teu cemitério de pensamentos
Sou apenas mais uma de tuas memórias
Com fim, mas sem meio ou início
Você poderia arrancar meu sorriso num olhar
Poderia usar teus lábios em mim, me dar abrigo
Mas os usa apenas para o silêncio amargar
E pra dizer que nada mais faz sentido
E que seu amor, agora ínfimo
Não é mais infinito, nem capaz de continuar
Um beijo na testa e um último olhar
"Nos vemos além do paraíso..."

quarta-feira, 5 de março de 2014

Até logo

De todas a fotografias
Todas as cartas jogadas no chão
Todas as más companhias
Todas os poemas escritos à mão
De tudo que a gente tinha
E tudo que perdemos por mera opção
No canto da casa vazia
Um suspiro e um soluço na escuridão
De tudo o que eu prometia
E tudo que você fingia por atenção
De todas as minhas mentiras
E a sua leve falta de organização
Esses foram outros dias
Dias quase frios em pleno verão
Tudo de belo que outrora havia
Fui eu capaz de em um momento abrir mão
E tudo o que você queria
Era o meu amor por anos de paixão
Um doce lar, doce família
Doces sonhos de mais puro coração
Talvez eu me arrependa um dia
Talvez eu nunca mais consiga dizer não
Prefiro ser infeliz em solitária agonia
Do que tornar tua vida amarga como a minha solidão...

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Pois é

Eu poderia contar
Mil histórias tristes
Mas você sabe, meu bem
É sempre a vida que decide
A história que você vai viver
Ontem, hoje, amanhã, sempre
E está pra nascer quem souber
O fim de cada início
A última página do livro
O bem de cada mal-me-quer

Cuidado ao atravessar a rua

Lá fora o mundo caminha
Nessa marcha rumo ao fim dos dias
Por que ninguém tem tempo
Para meramente se olhar nos olhos
Cuide para não tropeçar na rua
Para não ser pisoteado pelos pés do "progresso"
Cuide para ansiedade não tomar a mente sua
Ter o corpo movido a remédios
"Ora essa, que ideia absurda!"
"Ora essa, fique para trás, então"
O mundo segue o que procura
Mas meio termo nunca foi condição
Os "tempos modernos" não são ficção
É a cegueira aos males da superprodução
Em troca, para poucos, a fortuna

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Amor próprio

Qual é teu preço?
Qual é teu maior desejo?
Teu sonho na testa estampado
A viver e morrer por?
Qual teu maior anseio
Entre todos os teus devaneios
Entre todos os rejeitados
Qual deles o rejeitou?
Quem lhe colocou arreio?
Transformou teu ego em freio
Destilou tua força em medo
Prometendo-te só amor?
Há histórias e mais histórias
De quem tudo perde ao velho ditado
Gravado, não ao acaso, fundo em memória
Sem mistérios, sem moratória
"Antes só que mal acompanhado"

Traços amigos

Por onde andas, não sei
Por como vais, talvez
Entre sussurros e um discreto sorriso
Teus passos me revelam caminho
Mas sempre vais tão cedo... Por quê?
Entre poucos amigos à perto
Num mundo de superficialidade, repleto
Você me dá um olhar amigo
Faz parecer tudo dar certo
Talvez nunca estive sozinho
Apenas aos teus gestos mais cego

I know your soul

Você pode tentar ser quem você quiser, sempre
Só não esqueça que eu sempre saberei quem és de verdade
E quando precisar se expor, quando faltar coragem
Sempre poderá ler por meus olhos
O que se passa em minha mente

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Flies

You say you want to be alone
But you always need to have someone
You don't want a love to fill your soul
'Cause sometimes devil looks good enough

And maybe you want me more than ever
And maybe you want to be all mine
You say you hope it last forever
But you want "forever" just tonight

Oh babe
What a shame
Tell me why

Oh babe
It's always the same
All these lies...

There's something alive inside your eyes
There's something true behind your lips
You have your whole life to deny it
But I have no more hearts to split

So take a long trip to the ocean
Seek the river, may you'll find
Your holy answer, free commotion
Or at least just ease my mind
Having you no more in my arms...

Oh babe
Would be a shame
If you died?

Oh babe
Will be the same
Your whole life?

You're not the Sun just if you shine
I see a lamp with lots of flies
I was one of them, rised by your hand
Another one to crucify...
But now I'm floating through the sky...

Come on, babe,
Don't be a shame
Don't you waste my time

Come on, babe
This need an end
Just say goodbye

Gimme your goodbye
Gimme your goodbye
I tell you why

Gimme your goodbye
Gimme your goodbye...

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Nem leve a mal, mas...

Se não tem o que falar
Apenas cale a boca
Se veio aqui pra se mostrar
Procure uma vitrine
Eu não esperaria nada diferente
De belo frasco com fel perfume
Nem melhor exemplo ou atitude
De quem mendiga olhares
Por usar poucas peças de suedine

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

"You can run on for a long time..."

Julgar é tão fácil
Condenar também o é
Eu poderia reduzir-te a pedaços
Com algumas palavras de pouca fé
E sentir teu ódio, ácido
Começando a corroer meus pés
Pois é bem no chão que você está
E vai estar enquanto eu quiser
Pare de tomar meu tempo
Com humor barato
De xícaras vazias de café
Não tente ajuntar os estilhaços
Pois só vão te cortar os lábios
Um preço justo a ser cobrado
Por quebrar o coração de tão bela mulher

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Tudo e Nada

É como uma triste e velha canção
É como um "adeus" dito no escuro
Entre luz e sombra não vê diferença
Nem real, nem absurdo
Ou som e silêncio e solidão
Talvez ninguém venha
Talvez haja indiferença à redenção
Talvez o que procura está aqui
E sempre esteve em seu coração
Mas depois de tantas palavras
E dado tantos passos pelo chão
Sabemos que nada mais importa
Nem as perguntas, nem as respostas
És hoje puro diamante
Entre simples pedaços de carvão

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Fique bem

Sentirei saudade de nossas brigas
Nossos rabiscos de planos latentes
Sentirei saudade e pouca agonia
Ao te ver partir não mais sorridente
Há de ser feliz de novo pois ainda brilha
E sempre irá brilhar em minha mente
Um adeus nunca é o bastante delicado
A ponto de não ferir coração já quebrado
A ponto de não doer em alma que sente
Eles dizem que vão lhe tratar bem
E que você terá um lar finalmente
Que verá o Sol pela janela todos os dias
Regados por chuvas e sementes
Farão tudo para lhe ter em alegria
Lhe farão cantigas e poemas ardentes
Pois você há de merecer, joia viva
Há de ser feliz para sempre

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Tão certo... tão certo...

Paixão é um vale denso e belo
Tolos o tomam por fascínio
Traiçoeiro, julgado por "espertos"
Mas poucos conhecem ao certo
Seu trajeto entre doce amor e o ódio reprimido
Difícil é saber onde de um é o começo
E do outro o término
Mas é certo que pode levar-te ao paraíso
Ou até dolorosamente retornar-te ao pó
Tão certo quanto imagino que, algum dia
Deus e o Diabo foram um só...

...

Certas peças se encaixam naturalmente
Outras nem tanto
Você pode continuar tentando
Mas forçando vai estragar as pontas
E você já perdeu a conta
De quantas perdeu por medo
Medo de perder oportunidades, tão cedo 
Medo de a vida perder na banca...

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Quem sabe

Por mais que seja mais fácil
Só sentir raiva, por vaidade
Não consigo te esperar o mal
Tentar envenenar-te por me deixar só
Por não mais mostrar vontade
Teu riso debochado
Teu olhar cínico desvairado
Se misturam em boca vermelha
Um rosto pra me vidrar os olhos
Alguém que vive de poesia
Por que tem medo de dizer a verdade
Tua fraqueza me torna ainda mais fraco
Transforma minha raiva em saudade
E eu fico aqui, admirando fins de tarde
Solitários, quando poderia estar contigo
Mas pra você é mais fácil ficar só
É mais seguro, pra teu próprio futuro
Teus sonhos e possíveis frutos
Algum dia talvez desate teus nós
Talvez cresça, se encontre
Tua cara à realidade demonstre
E eu te veja na rua
Quando não estiver mais te procurando...