quarta-feira, 26 de março de 2014

Além

Sente o vento correndo por tua pele
Tentando fechar teus olhos de esmeralda
Um cílio se perde na imensidão do espaço
Que há entre nossos corpos nesse fim de tarde
Que não tarda
O fim do dia não demora, sempre em compasso
O inverno encurta os dias e a noite os abraça
Mas você já não está em meus braços...

Entre folhas secas caindo no chão frio
Nossos passos cobertos e apagados pelo tempo
Ainda estou com você, mas só me vê amigo vil
Como as árvores despidas e galhos ao sereno
A paisagem me faz sorrir, me inspira arrepio
Enquanto olha pálida meus dedos em movimento
Escuta triste minha melodia esperando silêncio
Me faz parar com um olhar vazio

Teus olhos agora cinzas em luto lamento
Me fazem crer que já estou sozinho
Sou apenas mais uma lápide
Em teu cemitério de pensamentos
Sou apenas mais uma de tuas memórias
Com fim, mas sem meio ou início
Você poderia arrancar meu sorriso num olhar
Poderia usar teus lábios em mim, me dar abrigo
Mas os usa apenas para o silêncio amargar
E pra dizer que nada mais faz sentido
E que seu amor, agora ínfimo
Não é mais infinito, nem capaz de continuar
Um beijo na testa e um último olhar
"Nos vemos além do paraíso..."

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