Desenrolando o seu caminho pela Rua Baker
Leve em sua cabeça e morto em seus pés
Bem, se foi outro dia louco
Você bebe noite afora
E esquece sobre tudo...
O deserto dessa cidade a faz sentir tanto frio
Ela ganhou tantas pessoas, mas nenhuma alma
E está levando tanto tempo
Para descobrir que você estava errada
Quando pensou que isso era tudo...
Você costumava pensar que isso era tão fácil
Você costumava dizer que isso era tão fácil
Mas você está tentando, está tentando agora...
Outro ano e então você seria feliz
Apenas mais um ano e então você será feliz
Mas você está chorando, está chorando agora...
Rua abaixo há uma luz no lugar dele
Ele abre a porta, ele tem aquele olhar
E ele te pergunta onde esteve
Você lhe conta quem tem visto
E fala sobre qualquer coisa...
Ele tem esse sonho sobre comprar alguma terra
Ele vai desistir das bebidas e dos encontros de uma noite
E então ele se estabelecerá
Em sua pequena e silenciosa cidade
E esquecer sobre tudo...
Mas você sabe que ele sempre irá continuar em frente
Você sabe, ele nunca vai parar de continuar em frente
Porque ele é uma rolante, uma pedra rolante...
Quando você acorda, é uma nova manhã
O sol está brilhando, é uma nova manhã
Quando você está indo, está indo pra casa...
Criei esse blog na intenção de ter um lugar para escrever coisas que me vêm a cabeça espontâneamente... poemas, textos, até musicas que imagino ao passar por certas situações diárias, que se não forem passadas para o papel vão embora tão rapidamente quanto chegaram à minha cabeça. Pode não se tratar de algo bonito, inteligente e muitas vezes culto, mas me baseio no que sou, e isso para mim basta. Bem vindos aos interessados e até logo aos que tem coisas melhores para fazer...
sábado, 5 de dezembro de 2015
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Autoproteção
Não leve a mal o olhar fechado
Nem mesmo o silêncio em aberto
O cuidadoso teme ser descuidado
Teme então tudo o que há por perto
Cínico, se protege do que é falso
Mas abandona o que tem de singelo
Como fogo que, por escolha, se apaga
Antes que a chuva fria o faça
Sem aquecer quem lhe carece em inverno...
Que venha então mais calma
Mais chamas fátuas em bálsamo sincero
Que pensamento não lhe mate a alma
E água fria não afogue o que tem de honesto.
Nem mesmo o silêncio em aberto
O cuidadoso teme ser descuidado
Teme então tudo o que há por perto
Cínico, se protege do que é falso
Mas abandona o que tem de singelo
Como fogo que, por escolha, se apaga
Antes que a chuva fria o faça
Sem aquecer quem lhe carece em inverno...
Que venha então mais calma
Mais chamas fátuas em bálsamo sincero
Que pensamento não lhe mate a alma
E água fria não afogue o que tem de honesto.
segunda-feira, 19 de outubro de 2015
The Dangling Conversation - S & G
É uma natureza morta aquarelada
De uma tarde passada
Enquanto o Sol brilha através das cortinas de renda
E as sombras lavam o quarto...
E nós sentamos e bebemos nosso café
Ocultos em nossa indiferença
Como conchas na praia
Você pode ouvir o rugido do oceano...
Na conversa pendente...
E os suspiros superficiais,
Os limites de nossas vidas...
E você lê "sua Emily Dickinson"
E eu o "meu Robert Frost"
E definimos nossos lugares com marcadores
Que medem o que perdemos...
Como um poema mal escrito
Somos versos sem ritmo
Dísticos sem rima
Em um tempo sincopado...
Perdidos na conversa pendente
E os suspiros superficiais
São os limites de nossas vidas...
Sim, falamos de coisas que importam
Com palavras que devem ser ditas
"Análise pode valer a pena?"
"O teatro está realmente morto?"
E como o quarto está suavemente desbotado
E eu apenas beijo sua sombra
Eu não posso sentir sua mão
Você é uma estranha para mim agora...
Perdidos na conversa pendente...
E os suspiros superficiais
Nos limites de nossas vidas.
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Wednesday Morning 3AM - S & G
"Por mais que amante da razão, que seria eu sem fugas e fantasias fugazes?"
Eu posso ouvir a respiração suave da menina que eu amo
Enquanto ela deita aqui ao meu lado
Dormindo com a noite...
E seu cabelo em uma fina névoa flutua em meu travesseiro
Refletindo o brilho do luar de inverno...
Ela é suave, ela é quente, mas meu coração continua pesado
E vejo como os seios, delicadamente sobem, descem...
Pois eu sei que na primeira linha do amanhecer eu vou estar indo embora
E esta noite será tudo que eu terei para lembrar...
Ó, o que eu fiz? Por que eu fiz isso?
Eu cometi um crime, eu quebrei a lei...
Por 25 dólares e algumas moedas de prata
Eu arrombei e roubei uma loja de destilados...
Minha vida parece irreal, o meu crime é uma ilusão
Uma cena mal escrita na qual devo atuar...
Mas sei que assim como olho o meu jovem amor ao meu lado
A manhã está apenas à poucas horas de distância...
Eu posso ouvir a respiração suave da menina que eu amo
Enquanto ela deita aqui ao meu lado
Dormindo com a noite...
E seu cabelo em uma fina névoa flutua em meu travesseiro
Refletindo o brilho do luar de inverno...
Ela é suave, ela é quente, mas meu coração continua pesado
E vejo como os seios, delicadamente sobem, descem...
Pois eu sei que na primeira linha do amanhecer eu vou estar indo embora
E esta noite será tudo que eu terei para lembrar...
Ó, o que eu fiz? Por que eu fiz isso?
Eu cometi um crime, eu quebrei a lei...
Por 25 dólares e algumas moedas de prata
Eu arrombei e roubei uma loja de destilados...
Minha vida parece irreal, o meu crime é uma ilusão
Uma cena mal escrita na qual devo atuar...
Mas sei que assim como olho o meu jovem amor ao meu lado
A manhã está apenas à poucas horas de distância...
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
Old Friends/Bookends - Simon & Garfunkel
Velhos amigos...
Velhos amigos...
Sentados em seu banco de praça como suportes de livros...
Um jornal voando pela grama
Cai nas pontas arredondadas
Dos sapatos finos
Dos velhos amigos...
Velhos amigos...
O inverno acompanha os velhos
Perdidos em seus sobretudos
Esperando pelo pôr-do-sol...
Os sons da cidade trespassando as árvores
Pousando como poeira
Nos ombros dos velhos amigos...
Você pode nos imaginar daqui a anos
Dividindo um banco de praça tacitamente?
Quão terrivelmente estranho ser septuagenário...
Velhos amigos...
Movem-se juntos pelos mesmos anos
Compartilhando em silêncio o mesmo medo...
...
Uma época foi-se
E que época aquela foi
Se foi...
Uma época de inocência
Uma época de confiança.
Deve ter sido há muito tempo
Eu guardo uma foto
Preserve suas memórias
Elas são tudo o que sobra de você...
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
Smile - David Gilmour Cover
Como uma das minhas poucas vontades e desejos remanescentes, a busca pelo sentimento e situação esboçados na canção gravada é o que justamente me faz gravá-la. Talvez isso seja real, ou talvez apenas o sonho de alcançar o inatingível seja. De qualquer forma, a canção retrata problemas de relacionamento de uma forma poética e romântica, soando tão sublime a ponto de invejar o protagonista por ter tais problemas, além da forma calma e despretensiosa de resolvê-los. Talvez essa seja a função das canções, provocar sentimentos reais sobre coisas impossíveis perante a razão. Sem tais sentimentos minha vida seria certamente mais fria e com ainda menos sentido, mas sei que eles não hão de inebriar-me para sempre. Minha audição não é vitalícia, muito menos eterna, assim como meus sonhos e esperanças. Talvez eu alcance o que procuro, ou apenas estou fadado ao "subsolo", de uma forma ou de outra.
https://soundcloud.com/miqueiasdm/smile-david-gilmour-cover/comment-250227117
Isso faria tudo ficar bem?
Enquanto o sono toma conta de você, onde eu estou fora da sua vista?
Eu farei minha partida
Tempo em minhas mãos
Procurarei a melhor forma
De achar o caminho para casa, para o seu sorriso...
Gastando dias e dias, nessa briga
Sempre pra baixo, e de pé no meio da noite
Sem esperanças ao se entregar às lembranças através das horas negras
Nós só sacrificaremos o que o tempo nos permitir
Você está... Suspirando, suspirando...
Totalmente sozinho, embora você esteja bem aqui
Agora é a hora de sair desse seu triste olhar penetrante...
Ir embora
Escolher à minha própria maneira...
Partir é a melhor forma
De achar o caminho para casa, para o seu sorriso...
https://soundcloud.com/miqueiasdm/smile-david-gilmour-cover/comment-250227117
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
Alecrim
Carta ao futuro:
"E se um dia encontrares paz em teu jardim
Traga-me um pouco e alguns ramos de alecrim
Mesmo que temas o mundo, mesmo que a mim
Não hei de lhe esquecer...
Não hei de lhe esquecer antes do fim
Não antes de neste solo eu cair, me esconder
Outro dia vai nascer só para ti, vais sentir
Que podes ser, outra vez
Feliz."
Resposta ao passado:
"Sinto, mas não tenho tais riquezas por aqui
Tive de deixar p'ra trás o lar que um dia construí
Encontrei outro caminho para prosseguir
Mas não hei de esquecer...
Não hei de me esquecer do que aprendi
Que um dia tive a sorte bem aqui, com você
Noutro solo vai nascer o meu jardim, de alecrim
E desta vez, lhe receber
Feliz. "
Miquéias D. Michelon
"E se um dia encontrares paz em teu jardim
Traga-me um pouco e alguns ramos de alecrim
Mesmo que temas o mundo, mesmo que a mim
Não hei de lhe esquecer...
Não hei de lhe esquecer antes do fim
Não antes de neste solo eu cair, me esconder
Outro dia vai nascer só para ti, vais sentir
Que podes ser, outra vez
Feliz."
Resposta ao passado:
"Sinto, mas não tenho tais riquezas por aqui
Tive de deixar p'ra trás o lar que um dia construí
Encontrei outro caminho para prosseguir
Mas não hei de esquecer...
Não hei de me esquecer do que aprendi
Que um dia tive a sorte bem aqui, com você
Noutro solo vai nascer o meu jardim, de alecrim
E desta vez, lhe receber
Feliz. "
Miquéias D. Michelon
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
Conselho
Note sua própria indiferença
Mantenha crenças silenciosas
Guarde sempre algum segredo
Saia vez em quando da toca
Dê um pouco de sua ausência
Para que presença seja saborosa
Guarde algum orgulho e medo
Saiba o que deseja em troca
Não espere qualquer recompensa
Não espere afago de quem te afoga
Não duvide de quem lhe tem respeito
Não torne "não" única resposta
Não busque atenção à venda
Mereça recepção calorosa
Ofereça a amigos o mesmo
Se importe com quem se importa.
Mantenha crenças silenciosas
Guarde sempre algum segredo
Saia vez em quando da toca
Dê um pouco de sua ausência
Para que presença seja saborosa
Guarde algum orgulho e medo
Saiba o que deseja em troca
Não espere qualquer recompensa
Não espere afago de quem te afoga
Não duvide de quem lhe tem respeito
Não torne "não" única resposta
Não busque atenção à venda
Mereça recepção calorosa
Ofereça a amigos o mesmo
Se importe com quem se importa.
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
Assíncrono
...que deveria ser dito?
Que deveria ser feito?
O que esperar desses meios
Para tais fins alcançar?
Eu sei do quanto preciso
Eu sei o quanto desejo
Mas vejo não ter um jeito
Um jeito são p'ra lidar
Com tantos tão caros vícios
Com novos tais velhos erros
Ser morto pelo meu medo
Do que morrer ao tentar
Pois se tudo tem início
E se tudo há de acabar
Deixo versos sem começo
Que não hei de terminar
Deixo à vida meu desfecho
Sem que a mim caiba deixar...
Que-de-ve-RI-a-ser-di(to)?
Que-de-ve-RI-a-ser-fei(to)?
O-que es-pe-RAR-des-ses-mei(os)
Pa-ra-tais-FINS-al-can-çar?
Eu-sei-do-QUAN-to-pre-ci(so)
Eu-sei-o-QUAN-to-de-se(jo)
Mas-ve-jo-NÃO-ter-um-jei(to)
Um-jei-to-SÃO-p'ra-li-dar
Com-tan-tos-TÃO-ca-ros-ví(cios)
Com-no-vos-TAIS-ve-lhos-er(ros)
Ser-mor-to-PE-lo-meu-me(do)
Do-que-mor-RER-ao-ten-tar
Pois-se-TU-do-tem-i-ní(cio)
E-se-TU-do há-de a-ca-bar
Dei-xo-VER-sos-sem-co-me(ço)
Que-não-HEI-de-ter-mi-nar
Dei-xo à-VI-da-meu-des-fe(cho)
Sem-que a-MIM-cai-ba-dei-xar.
Que deveria ser feito?
O que esperar desses meios
Para tais fins alcançar?
Eu sei do quanto preciso
Eu sei o quanto desejo
Mas vejo não ter um jeito
Um jeito são p'ra lidar
Com tantos tão caros vícios
Com novos tais velhos erros
Ser morto pelo meu medo
Do que morrer ao tentar
Pois se tudo tem início
E se tudo há de acabar
Deixo versos sem começo
Que não hei de terminar
Deixo à vida meu desfecho
Sem que a mim caiba deixar...
Que-de-ve-RI-a-ser-di(to)?
Que-de-ve-RI-a-ser-fei(to)?
O-que es-pe-RAR-des-ses-mei(os)
Pa-ra-tais-FINS-al-can-çar?
Eu-sei-do-QUAN-to-pre-ci(so)
Eu-sei-o-QUAN-to-de-se(jo)
Mas-ve-jo-NÃO-ter-um-jei(to)
Um-jei-to-SÃO-p'ra-li-dar
Com-tan-tos-TÃO-ca-ros-ví(cios)
Com-no-vos-TAIS-ve-lhos-er(ros)
Ser-mor-to-PE-lo-meu-me(do)
Do-que-mor-RER-ao-ten-tar
Pois-se-TU-do-tem-i-ní(cio)
E-se-TU-do há-de a-ca-bar
Dei-xo-VER-sos-sem-co-me(ço)
Que-não-HEI-de-ter-mi-nar
Dei-xo à-VI-da-meu-des-fe(cho)
Sem-que a-MIM-cai-ba-dei-xar.
terça-feira, 11 de agosto de 2015
World Leader Pretend - R.E.M.
"Esse é o meu erro, deixe-me consertá-lo
Eu levantei o muro, e eu serei aquele que irá derrubá-lo.
Sento-me à minha mesa, e provoco a guerra em mim mesmo
Isso parece ser tudo para nada.
Eu sei sobre as barricadas, e eu sei que o reboco do muro quebra
Eu reconheço as armas, eu as usei bem.
Esse é o meu erro, deixe-me consertá-lo
Eu levantei o muro, e eu serei aquele que irá derrubá-lo.
Eu tenho uma rica compreenção sobre minhas melhores defesas.
Eu proclamo que as reivindicações sejam mantidas não declaradas.
Eu exijo uma revanche, eu decreto um impasse.
Eu divino meus motivos mais profundos.
Eu reconheço as armas, eu as pratiquei bem.
Eu às instalei sozinho
É incrível pensar nos dispositivos com os quais você pode simpatizar
Enfatizar...
Estenda a mão para mim, me abrace forte
Mantenha essa memória
Deixe minha máquina falar comigo,
Deixe minha máquina falar comigo...
Esse é o meu mundo, e eu sou o Fingido Líder Mundial.
Essa é a minha vida, e esse é o meu tempo
Foi-me dada a liberdade de fazer o que eu achar melhor.
É hora de arrasar com os muros que eu construí...
É incrível pensar nos dispositivos com os quais você pode simpatizar
Enfatizar...
Você preenche o reboco
Você preenche a harmonia
Você preenche o reboco.
Eu levantei o muro,
E eu serei o único,
Eu serei o único a derrubá-lo."
https://www.youtube.com/watch?v=WwS9_vqdHcQ
Eu levantei o muro, e eu serei aquele que irá derrubá-lo.
Sento-me à minha mesa, e provoco a guerra em mim mesmo
Isso parece ser tudo para nada.
Eu sei sobre as barricadas, e eu sei que o reboco do muro quebra
Eu reconheço as armas, eu as usei bem.
Esse é o meu erro, deixe-me consertá-lo
Eu levantei o muro, e eu serei aquele que irá derrubá-lo.
Eu tenho uma rica compreenção sobre minhas melhores defesas.
Eu proclamo que as reivindicações sejam mantidas não declaradas.
Eu exijo uma revanche, eu decreto um impasse.
Eu divino meus motivos mais profundos.
Eu reconheço as armas, eu as pratiquei bem.
Eu às instalei sozinho
É incrível pensar nos dispositivos com os quais você pode simpatizar
Enfatizar...
Estenda a mão para mim, me abrace forte
Mantenha essa memória
Deixe minha máquina falar comigo,
Deixe minha máquina falar comigo...
Esse é o meu mundo, e eu sou o Fingido Líder Mundial.
Essa é a minha vida, e esse é o meu tempo
Foi-me dada a liberdade de fazer o que eu achar melhor.
É hora de arrasar com os muros que eu construí...
É incrível pensar nos dispositivos com os quais você pode simpatizar
Enfatizar...
Você preenche o reboco
Você preenche a harmonia
Você preenche o reboco.
Eu levantei o muro,
E eu serei o único,
Eu serei o único a derrubá-lo."
https://www.youtube.com/watch?v=WwS9_vqdHcQ
Sinto falta
Sinto falta da boa e velha segurança
De ter um objetivo, de ser útil, ter um caminho
De estar no lugar certo, quase na hora certa
Mas ainda em algum lugar.
Sinto falta de não me preocupar
Com a vida e sua total falta de sentido
De me empolgar com jogos, objetos, ilusões
Que cedo ou tarde iria a todos descartar.
Há algum tempo assim me sinto
Sem saber bem o que preciso procurar
Já não gasto dinheiro tentando fugir disso
Como os bêbados daquela esquina de silenciosas lamentações
Tratando a todos como seus amigos
Para os seus demônios desesperados acalmar
Para ainda se sentirem vivos.
Sinto falta de todo aquele misticismo
Das coisas espontâneas que costumavam me visitar
Dos fins de tarde aos inícios de paixões
Os atuais fins dos dias e mais toques frívolos.
Onde estão as epifanias?
Os mapas mentais do caminho a trilhar?
O sabor das conquistas, de fazer a coisa certa
De tudo o que fazia sentido...
Não é assim que as coisas costumavam ser
Não é a primeira vez que me perco
Não é a primeira vez que estou preso
Sem saber o próximo passo a ser ditado.
As boas companhias aliviam o peso dos passos
Reduzem o volume dos tiques a me perseguir
Mas enquanto meus pés estiverem pregados
Enquanto nada surgir novamente de todo o abstrato
Nada serei ou farei por aqui.
De ter um objetivo, de ser útil, ter um caminho
De estar no lugar certo, quase na hora certa
Mas ainda em algum lugar.
Sinto falta de não me preocupar
Com a vida e sua total falta de sentido
De me empolgar com jogos, objetos, ilusões
Que cedo ou tarde iria a todos descartar.
Há algum tempo assim me sinto
Sem saber bem o que preciso procurar
Já não gasto dinheiro tentando fugir disso
Como os bêbados daquela esquina de silenciosas lamentações
Tratando a todos como seus amigos
Para os seus demônios desesperados acalmar
Para ainda se sentirem vivos.
Sinto falta de todo aquele misticismo
Das coisas espontâneas que costumavam me visitar
Dos fins de tarde aos inícios de paixões
Os atuais fins dos dias e mais toques frívolos.
Onde estão as epifanias?
Os mapas mentais do caminho a trilhar?
O sabor das conquistas, de fazer a coisa certa
De tudo o que fazia sentido...
Não é assim que as coisas costumavam ser
Não é a primeira vez que me perco
Não é a primeira vez que estou preso
Sem saber o próximo passo a ser ditado.
As boas companhias aliviam o peso dos passos
Reduzem o volume dos tiques a me perseguir
Mas enquanto meus pés estiverem pregados
Enquanto nada surgir novamente de todo o abstrato
Nada serei ou farei por aqui.
domingo, 2 de agosto de 2015
Casca
O que é a paixão
Se não um apreço egoísta à alheia casca?
Apreciar a beleza de uma flor pelas pétalas
Ignorando os espinhos de sua criação
O primeiro toque pode não ferir-te a mão
E irá inebriar-te pelo perfume que exala
E enquanto outra doce noite não acabar
Sente febril vontade de, por capricho, tomá-la
Garantindo a si mesmo não sangrar, em vão
Pois sempre sangra, e a solta sem pensar
Depois de arrancá-la do abrigo, do chão
Depois de sentir os espinhos em tua pele rasa
Pois busca sempre a verdade por tua vista vaga
Mas a ignora pelas fantasias de tua imaginação...
Há imperfeições em tudo o que bem observar
A sombra sempre se molda ao que a luz não transpassa
Se não é capaz, faça um favor à flor e tua vida escassa
E não toque no que só tua vista deve tocar.
segunda-feira, 13 de julho de 2015
As respostas que desejo e a que preciso
Eu tenho os meus problemas, você tem os seus
Variações de um mesmo tema, ateus procurando Deus
Eu tenho os meus problemas, você tem os seus
Variações de um mesmo tema, Dylan e seus dilemas
Onde estamos? Pra onde vamos? Onde já se viu?
Num retrato, num espelho, no mapa do Brasil...
Qual é seu signo? Que sangue você gosta de sugar?
Qual é o seu limite, se é que ele existe?
Se não existe, qual é?
Não procure paz onde paz não há
Não procure alguém onde não há ninguém
Não procure um céu azul no Mar Vermelho
Não procure outras pessoas no espelho
Não procure mais, tá tudo aí
E ai de nós se o disco acabar
Se o rastro ficar invisível a olho nu
Pois nossos olhos não usam black-tie
Ouça o que eu digo: não ouça ninguém
Ouça o que eu digo: não ouça ninguém
Só obedeça à lei da infinita highway
Piloto automático não leva a nenhum lugar
(não, não ouça o que eu digo: não ouça ninguém)
Piloto automático não leva a lugar nenhum
(não, não ouça o que eu digo: não ouça ninguém)...
...
Não tenha medo...
Nem tudo tem explicação...
Há mistério em quase tudo, nem todo veludo é azul...
O coração sempre arrasa a razão
O que é preciso, ninguém precisa explicar...
O mundo é muito grande pra quem anda de avião...
Pra quem anda sem destino ele cabe na palma da mão...
O coração sempre arrasa a razão
O que não tem explicação, ninguém precisa explicar...
O sol ainda se levanta no meio de tanta confusão...
No meio da madrugada ele ilumina o Japão...
O coração nunca cansa da canção
O que tá escrito na canção
Ninguém precisa aceitar!
(Engenheiros do Hawaii - Variações Sobre Um Mesmo Tema)
Variações de um mesmo tema, ateus procurando Deus
Eu tenho os meus problemas, você tem os seus
Variações de um mesmo tema, Dylan e seus dilemas
Onde estamos? Pra onde vamos? Onde já se viu?
Num retrato, num espelho, no mapa do Brasil...
Qual é seu signo? Que sangue você gosta de sugar?
Qual é o seu limite, se é que ele existe?
Se não existe, qual é?
Não procure paz onde paz não há
Não procure alguém onde não há ninguém
Não procure um céu azul no Mar Vermelho
Não procure outras pessoas no espelho
Não procure mais, tá tudo aí
E ai de nós se o disco acabar
Se o rastro ficar invisível a olho nu
Pois nossos olhos não usam black-tie
Ouça o que eu digo: não ouça ninguém
Ouça o que eu digo: não ouça ninguém
Só obedeça à lei da infinita highway
Piloto automático não leva a nenhum lugar
(não, não ouça o que eu digo: não ouça ninguém)
Piloto automático não leva a lugar nenhum
(não, não ouça o que eu digo: não ouça ninguém)...
...
Não tenha medo...
Nem tudo tem explicação...
Há mistério em quase tudo, nem todo veludo é azul...
O coração sempre arrasa a razão
O que é preciso, ninguém precisa explicar...
O mundo é muito grande pra quem anda de avião...
Pra quem anda sem destino ele cabe na palma da mão...
O coração sempre arrasa a razão
O que não tem explicação, ninguém precisa explicar...
O sol ainda se levanta no meio de tanta confusão...
No meio da madrugada ele ilumina o Japão...
O coração nunca cansa da canção
O que tá escrito na canção
Ninguém precisa aceitar!
(Engenheiros do Hawaii - Variações Sobre Um Mesmo Tema)
domingo, 5 de julho de 2015
Eu não sei... eu não sei...
Eu vejo os casais felizes deitados alí na grama
Eu vejo pela rua os que não se tocam há semanas
Haveria uma forma de saber se alguém aqui se ama?
"I don't know... I don't know", criança.
Muita gente está junta procurando autoconfiança
Muita gente está sozinha, fugindo de aliança
Mas sabe que "pra ser feliz" tem que entrar na dança...
Por quê?
"I don't know... I don't know", criança.
Todo mundo quer ser amado, mas sem muita esperança
O tempo vai matando devagar o "quem espera sempre alcança"
No passar dos anos um toque pesa muito na balança...
"Você vai ficar comigo para sempre em segurança?"
"I don't know... I don't know", "Ana".
Há muita opinião para muita pouca prova franca
Todo mundo sente e sonha até cair da cama
A corda sempre rompe do lado de maior insegurança
"Amor verdadeiro existe ou é só propaganda?"
Tenho lá minhas dúvidas, criança...
Então é outra madrugada congelante sem importância
"Refrão de Bolero" não toca, por mais que a gente beba e sofra em constância
O uísque é cheio d'água e custa mais do que assistir a banda
"Ela vai me ligar e acabar com a distância?"
Eu não contaria com isso, criança...
Mas por mais que se tente entender, não há equação santa
A soberba é o pecado mais comum dos poetas dessas bandas
Morrerão sozinhos esperando uma cena Shakespeariana
"Você vai morrer assim, sem se deixar amar quem te ama?"
Eu não sei... não sou poeta, criança.
Eu vejo pela rua os que não se tocam há semanas
Haveria uma forma de saber se alguém aqui se ama?
"I don't know... I don't know", criança.
Muita gente está junta procurando autoconfiança
Muita gente está sozinha, fugindo de aliança
Mas sabe que "pra ser feliz" tem que entrar na dança...
Por quê?
"I don't know... I don't know", criança.
Todo mundo quer ser amado, mas sem muita esperança
O tempo vai matando devagar o "quem espera sempre alcança"
No passar dos anos um toque pesa muito na balança...
"Você vai ficar comigo para sempre em segurança?"
"I don't know... I don't know", "Ana".
Há muita opinião para muita pouca prova franca
Todo mundo sente e sonha até cair da cama
A corda sempre rompe do lado de maior insegurança
"Amor verdadeiro existe ou é só propaganda?"
Tenho lá minhas dúvidas, criança...
Então é outra madrugada congelante sem importância
"Refrão de Bolero" não toca, por mais que a gente beba e sofra em constância
O uísque é cheio d'água e custa mais do que assistir a banda
"Ela vai me ligar e acabar com a distância?"
Eu não contaria com isso, criança...
Mas por mais que se tente entender, não há equação santa
A soberba é o pecado mais comum dos poetas dessas bandas
Morrerão sozinhos esperando uma cena Shakespeariana
"Você vai morrer assim, sem se deixar amar quem te ama?"
Eu não sei... não sou poeta, criança.
quinta-feira, 2 de julho de 2015
A Tempestade - Legião Urbana
Será que eu sou capaz
De enfrentar o teu amor
Que me traz insegurança
E verdade demais?
Será que eu sou capaz?
Veja bem quem eu sou
Com teu amor eu quero que sintas dor
Eu quero ver-te em sangue e ser teu credor
Veja bem quem eu sou...
Trouxe flores mortas pra ti
Quero rasgar-te e ver o sangue manchar
Toda a pureza que vem do teu olhar
Eu não sei mais sentir...
De enfrentar o teu amor
Que me traz insegurança
E verdade demais?
Será que eu sou capaz?
Veja bem quem eu sou
Com teu amor eu quero que sintas dor
Eu quero ver-te em sangue e ser teu credor
Veja bem quem eu sou...
Trouxe flores mortas pra ti
Quero rasgar-te e ver o sangue manchar
Toda a pureza que vem do teu olhar
Eu não sei mais sentir...
segunda-feira, 29 de junho de 2015
Dores poéticas
Quem dera poesia pudesse sanar os piores males
De tudo o que a carne ainda quente pode sofrer
Desde os demônios da mente em seus disfarces
Até os vermes do tempo sob a pele a lhe roer
Mas essa caprichosa dama acaba, cedo ou tarde
Como bem sabes, realçando peripécias do viver
Trazendo dores do passado que não morre, saudades
Lembrando aos vivos que estes ainda têm de morrer.
De tudo o que a carne ainda quente pode sofrer
Desde os demônios da mente em seus disfarces
Até os vermes do tempo sob a pele a lhe roer
Mas essa caprichosa dama acaba, cedo ou tarde
Como bem sabes, realçando peripécias do viver
Trazendo dores do passado que não morre, saudades
Lembrando aos vivos que estes ainda têm de morrer.
segunda-feira, 22 de junho de 2015
"Dude, I totally miss you..."
Talvez você ainda vem aqui. Eu espero que sim. Se vem, saberá que dedico essa gravação a você, a falta que você e tua amizade me fazem. É do seu álbum preferido, da minha canção preferida.
Fique bem, cuide-se, sempre...
Pink Floyd Cover - Pigs on the Wing (1 & 2)
Fique bem, cuide-se, sempre...
Pink Floyd Cover - Pigs on the Wing (1 & 2)
domingo, 21 de junho de 2015
Interesse(ante) atenção
Acho que meus valores andam invertidos
O que sempre achei importante
Já é puro desperdício
Entre tantos sacrifícios
Ao buscar ser interessante.
Não adianta rima, letra ou poema
Sendo simples não se rouba cena
"Seja você mesmo, mas troque o sorriso
Deixe em casa a parte que não vale a pena."
E eu que achava que minha alma era maior que isso...
Alguns saem cantando nas ruas como idiotas
Berrando o que pensam e sabem
Por alguma atenção em esmola
A busca por compreensão está em toda parte
E há todo tipo de desespero lá fora.
Devo aceitar os fatos, aceitarei o que vivo
Pois sei que perco muito tempo
Com quem idealizo
Sendo injusto à todo momento
Ao esquecer de quem se importa comigo...
O que sempre achei importante
Já é puro desperdício
Entre tantos sacrifícios
Ao buscar ser interessante.
Não adianta rima, letra ou poema
Sendo simples não se rouba cena
"Seja você mesmo, mas troque o sorriso
Deixe em casa a parte que não vale a pena."
E eu que achava que minha alma era maior que isso...
Alguns saem cantando nas ruas como idiotas
Berrando o que pensam e sabem
Por alguma atenção em esmola
A busca por compreensão está em toda parte
E há todo tipo de desespero lá fora.
Devo aceitar os fatos, aceitarei o que vivo
Pois sei que perco muito tempo
Com quem idealizo
Sendo injusto à todo momento
Ao esquecer de quem se importa comigo...
sexta-feira, 19 de junho de 2015
A Peça
Eu vejo a sua foto, sem aviso
Sinto os primeiros sinais de desejo
Onde foi parar o meu rancor, meu sossego
Que até há pouco dominava meus sentidos?
Em meus olhos lhe eternizo
Como de tantos outros, vidrados
Você sofre, mas ainda tem a sorte ao teu lado
Pois por mais que haja coração quebrado
Desejo alheio e companhia sempre lhe serão abrigo
Diferente da maioria dos vivos
Que apenas pela morte são acompanhados
A ironia da vida e seus tortos traços
A beleza morre, mas vence fortes e fracos
A tua me vence, sem me matar o desejo ardido
Mas também não morrerei por causa disso
Meus impulsos cessarão no andar dos passos
Eu lhe esquecerei o rosto, como tantos outros retratos
Me protegendo do que me mata enquanto sinto
Enquanto meu personagem anda à beira do abismo
Até o próximo distante e não ensaiado ato
Até estar, outra vez, apaixonado.
Sinto os primeiros sinais de desejo
Onde foi parar o meu rancor, meu sossego
Que até há pouco dominava meus sentidos?
Em meus olhos lhe eternizo
Como de tantos outros, vidrados
Você sofre, mas ainda tem a sorte ao teu lado
Pois por mais que haja coração quebrado
Desejo alheio e companhia sempre lhe serão abrigo
Diferente da maioria dos vivos
Que apenas pela morte são acompanhados
A ironia da vida e seus tortos traços
A beleza morre, mas vence fortes e fracos
A tua me vence, sem me matar o desejo ardido
Mas também não morrerei por causa disso
Meus impulsos cessarão no andar dos passos
Eu lhe esquecerei o rosto, como tantos outros retratos
Me protegendo do que me mata enquanto sinto
Enquanto meu personagem anda à beira do abismo
Até o próximo distante e não ensaiado ato
Até estar, outra vez, apaixonado.
quinta-feira, 18 de junho de 2015
Forma de vida
Ontem vi a grande engrenagem começar
A girar à medida que o Sol surgia
O mecanismo dava movimento ao lugar
Homem e máquina avançavam ao nascer do dia
Queria ver o astro subir no horizonte, seu altar
Mas o correr dos ponteiros não me permitia
Eu devia acompanhar, sem muito pensar
O relógio da nossa "superior" forma de vida.
O frio da manhã junina parecia me abraçar
Invadia respiração e toda loja que se abria
A pouca vegetação era coberta em névoa do ar
Que se misturava ao vapor que toda boca, escape, bueiro expelia
Além dos gases que passam os dias a nos matar
Dos facilitadores de nossa artificial harmonia
Seria eu outro homem ou outra máquina a andar
Sobre essa terra de "superior" forma de vida?
O frio foi condenado e pedido a se retirar
Pelas almas entre as ferragens também vazias
Que não viram o belo tom branco sobre os campos avançar
E todo o lado bom da balança que se equilibra
Que possibilita toda e qualquer engrenagem girar
De toda a arquitetura natural e viva
Que deixamos de lado, sem qualquer cuidado
Pela nossa "superior" forma de vida.
O dia seguiu, como qualquer outro
E acabou com sua costumeira fadiga
O céu fechou, o vento uivou mais um pouco
O Sol morreu enquanto na rua eu sorria
A noite, silenciosa e fria, acalmou os loucos
Que correm por sobrevivência e comodidade, dia após dia
Pois não podem encontrar
Forma melhor de continuar
Que a nossa "superior" forma de vida.
A girar à medida que o Sol surgia
O mecanismo dava movimento ao lugar
Homem e máquina avançavam ao nascer do dia
Queria ver o astro subir no horizonte, seu altar
Mas o correr dos ponteiros não me permitia
Eu devia acompanhar, sem muito pensar
O relógio da nossa "superior" forma de vida.
O frio da manhã junina parecia me abraçar
Invadia respiração e toda loja que se abria
A pouca vegetação era coberta em névoa do ar
Que se misturava ao vapor que toda boca, escape, bueiro expelia
Além dos gases que passam os dias a nos matar
Dos facilitadores de nossa artificial harmonia
Seria eu outro homem ou outra máquina a andar
Sobre essa terra de "superior" forma de vida?
O frio foi condenado e pedido a se retirar
Pelas almas entre as ferragens também vazias
Que não viram o belo tom branco sobre os campos avançar
E todo o lado bom da balança que se equilibra
Que possibilita toda e qualquer engrenagem girar
De toda a arquitetura natural e viva
Que deixamos de lado, sem qualquer cuidado
Pela nossa "superior" forma de vida.
O dia seguiu, como qualquer outro
E acabou com sua costumeira fadiga
O céu fechou, o vento uivou mais um pouco
O Sol morreu enquanto na rua eu sorria
A noite, silenciosa e fria, acalmou os loucos
Que correm por sobrevivência e comodidade, dia após dia
Pois não podem encontrar
Forma melhor de continuar
Que a nossa "superior" forma de vida.
quinta-feira, 11 de junho de 2015
Os piores momentos
Não há muito a se dizer
O tempo, febril, ainda corre
De todas as medidas, dessa vez
É a que dita a minha sorte
Se ansiedade não me matar a alma
Talvez sereno eu ainda me torne
Mas o relógio se tornou arma
Contra a testa, como revólver
Não olho pros lados, devo ir para casa
Pois na praça, gravaram na forca meu nome
Sou o criador de minha própria ameaça
Me afoguem logo a angústia nas águas da morte.
O tempo, febril, ainda corre
De todas as medidas, dessa vez
É a que dita a minha sorte
Se ansiedade não me matar a alma
Talvez sereno eu ainda me torne
Mas o relógio se tornou arma
Contra a testa, como revólver
Não olho pros lados, devo ir para casa
Pois na praça, gravaram na forca meu nome
Sou o criador de minha própria ameaça
Me afoguem logo a angústia nas águas da morte.
domingo, 7 de junho de 2015
Fuga
Quanto tempo eu perdi
E quanto tempo ainda perco
Por me importar demais ao sentir
O pior em tudo que vejo.
Não procuro misérias por aí
Mas há muito que não entendo
O que os olhares querem de mim
Por que devo sentir tanto medo?
Não é segredo que palavras podem ferir
E acabo sangrando quase todo dia
Não queria me importar com tudo o que todo mundo diz
Só me sobra fugir, só me sobra fugir...
Eu procuro mais cuidado
Em outros bons ouvidos
Mas encontro mais bocas de sapo
Cheias de moscas e mosquitos
Talvez eu esteja errado
E talvez por isso não vivo
Mas sempre que olho pros lados
Tudo é fútil, inútil, vazio...
Não há sentido em coisa alguma por aqui
Não há invisível balança da justiça
Não queria ver tanto narcisismo e tanta hipocrisia
Só me resta fugir, dia após dia...
E então se vê em outro buraco
Ignorado e incompreendido
Pois o mundo não tem paciência
Sinceridade ou qualquer compromisso
Se eu encontrar outro nesse estado
Outro alguém a chamar de amigo
Não deixarei que saia do meu lado
Nunca mais, sem mais sacrifícios.
Não há sentido em coisa alguma por aqui
E acabo sangrando quase todo dia
Não queria me importar com tudo o que todo mundo diz
Só me resta fugir, vida vazia...
Dia após dia...
Fuga - Miquéias DM (Composição)
E quanto tempo ainda perco
Por me importar demais ao sentir
O pior em tudo que vejo.
Não procuro misérias por aí
Mas há muito que não entendo
O que os olhares querem de mim
Por que devo sentir tanto medo?
Não é segredo que palavras podem ferir
E acabo sangrando quase todo dia
Não queria me importar com tudo o que todo mundo diz
Só me sobra fugir, só me sobra fugir...
Eu procuro mais cuidado
Em outros bons ouvidos
Mas encontro mais bocas de sapo
Cheias de moscas e mosquitos
Talvez eu esteja errado
E talvez por isso não vivo
Mas sempre que olho pros lados
Tudo é fútil, inútil, vazio...
Não há sentido em coisa alguma por aqui
Não há invisível balança da justiça
Não queria ver tanto narcisismo e tanta hipocrisia
Só me resta fugir, dia após dia...
E então se vê em outro buraco
Ignorado e incompreendido
Pois o mundo não tem paciência
Sinceridade ou qualquer compromisso
Se eu encontrar outro nesse estado
Outro alguém a chamar de amigo
Não deixarei que saia do meu lado
Nunca mais, sem mais sacrifícios.
Não há sentido em coisa alguma por aqui
E acabo sangrando quase todo dia
Não queria me importar com tudo o que todo mundo diz
Só me resta fugir, vida vazia...
Dia após dia...
Fuga - Miquéias DM (Composição)
domingo, 31 de maio de 2015
O Dicionário para Errantes
"Não se pode agradar todo mundo"
"O que se tem já é o bastante"
"Ser humano é nunca estar satisfeito"
"Não seja um troféu numa estante."
Quando os gregos e troianos chegarem
Lembre-se que "nada é como antes"
E "amadurecer é aceitar o que não muda"
E que "a mudança é o que há de mais constante"
Ditados e conselhos, gratuitos, em suma
No bom e velho 'Dicionário para Errantes'.
Não é segredo que "o mundo dá voltas"
E que "mais feliz é o ignorante"
Você pode tentar "tapar o Sol com a peneira"
Mas se encará-lo demais vai acabar com câncer
E se a tal "fruta não cai longe do pé"
O "tal pai, tal filho" está cada vez mais distante
"Só sei que nada sei" é tudo o que importa nos bares
Pois lá vivem hoje os atuais "filosofantes"...
Se prestar atenção ouvirá em cada rua e lápide
Citações do 'Dicionário para Errantes'.
"O mentiroso não acredita em ninguém"
"O que se sente é o mais importante"
Então se sentir que não confio em você
"Não acredite em tudo o que" lê nesse poema massante
O tradicional "quem canta os males espanta"
Já espanta bem mais que isso, não obstante
Pois todos sabem que "a vida não permite ensaio"
E nem todo mundo "merece uma segunda chance"
Eu ouço mil bocas citarem todo dia, sem cansaço
As notas de rodapé do 'Dicionário para Errantes'.
Eu esperava que ainda pudesse compreender
A vida e essas frases tão reconfortantes
Mas a "palavra 'ainda' é de prata, silêncio de ouro"
E é a melhor coisa já dita em qualquer instante...
Enquanto tantos sofrem por inseguranças mordazes
Buscam parecer felizes e confiantes
Têm sempre algo a dizer, "sábios", em todos os lugares
Mas poucos encaram realidade tão discrepante...
Assim, me deixe aqui com minhas dúvidas fugazes
E todos os velhos questionamentos incessantes...
Enquanto leio vulgar, meu próprio exemplar
Do bom e velho 'Dicionário para Errantes'...
"O que se tem já é o bastante"
"Ser humano é nunca estar satisfeito"
"Não seja um troféu numa estante."
Quando os gregos e troianos chegarem
Lembre-se que "nada é como antes"
E "amadurecer é aceitar o que não muda"
E que "a mudança é o que há de mais constante"
Ditados e conselhos, gratuitos, em suma
No bom e velho 'Dicionário para Errantes'.
Não é segredo que "o mundo dá voltas"
E que "mais feliz é o ignorante"
Você pode tentar "tapar o Sol com a peneira"
Mas se encará-lo demais vai acabar com câncer
E se a tal "fruta não cai longe do pé"
O "tal pai, tal filho" está cada vez mais distante
"Só sei que nada sei" é tudo o que importa nos bares
Pois lá vivem hoje os atuais "filosofantes"...
Se prestar atenção ouvirá em cada rua e lápide
Citações do 'Dicionário para Errantes'.
"O mentiroso não acredita em ninguém"
"O que se sente é o mais importante"
Então se sentir que não confio em você
"Não acredite em tudo o que" lê nesse poema massante
O tradicional "quem canta os males espanta"
Já espanta bem mais que isso, não obstante
Pois todos sabem que "a vida não permite ensaio"
E nem todo mundo "merece uma segunda chance"
Eu ouço mil bocas citarem todo dia, sem cansaço
As notas de rodapé do 'Dicionário para Errantes'.
Eu esperava que ainda pudesse compreender
A vida e essas frases tão reconfortantes
Mas a "palavra 'ainda' é de prata, silêncio de ouro"
E é a melhor coisa já dita em qualquer instante...
Enquanto tantos sofrem por inseguranças mordazes
Buscam parecer felizes e confiantes
Têm sempre algo a dizer, "sábios", em todos os lugares
Mas poucos encaram realidade tão discrepante...
Assim, me deixe aqui com minhas dúvidas fugazes
E todos os velhos questionamentos incessantes...
Enquanto leio vulgar, meu próprio exemplar
Do bom e velho 'Dicionário para Errantes'...
quinta-feira, 21 de maio de 2015
Minha crença
Se eu ganhasse um tostão
Por toda vez que me dissessem o que fazer
Em como pensar e no que devo crer
Daqueles que pensam que "fé" é "saber"
Não precisaria trabalhar mais não...
Fique com sua crença aí, no seu "coração"
E vá arranjar o que fazer...
Por toda vez que me dissessem o que fazer
Em como pensar e no que devo crer
Daqueles que pensam que "fé" é "saber"
Não precisaria trabalhar mais não...
Fique com sua crença aí, no seu "coração"
E vá arranjar o que fazer...
quarta-feira, 13 de maio de 2015
Só pra saber
Eu queria apenas uma vez
Ser capaz e digno de escrever
Algo tão forte, bonito e verdadeiro
A ponto do mundo inteiro chegar a ler.
Só pra saber
Que há mesmo alguém, também imperfeito
Por cada rua, praça, esquina e canteiro
Me procurando,
Assim como eu sempre lhe procurei.
Ser capaz e digno de escrever
Algo tão forte, bonito e verdadeiro
A ponto do mundo inteiro chegar a ler.
Só pra saber
Que há mesmo alguém, também imperfeito
Por cada rua, praça, esquina e canteiro
Me procurando,
Assim como eu sempre lhe procurei.
sábado, 9 de maio de 2015
Outra noite
E assim se vai outra noite
O menor ponteiro dá outra volta
Até que tudo acabe com a foice
Ainda há muito de banal na história.
Bebi o que pude, a boca ainda seca
A soberba nunca sobrepôs tanto a beleza...
A noite é uma criança que se tornou velha
Mas talvez a vida ainda seja bela.
Há muitos espelhos e flashes lá fora
Mas há pouquíssimos bons ouvidos
Sou grato por todos à minha volta
Mas confesso que ainda estou sozinho.
Ela sabe a quem escrevi, mas sabe fingir
Olhos tão expressivos que pensamentos podia ouvir...
Meu melhor amigo me condena fraco, não nega
Mas talvez a vida ainda seja bela.
Deixo meu boa noite à todos
E que o mundo siga seu melhor rumo
Raiva e rancor não me ajudaram nem um pouco
Só me mostraram o quanto o ego é imaturo...
Eu queria apenas uma vez me considerar certo
Mas só vejo que há menos amigos por perto.
Amar a si mesmo é difícil, mas é o que resta
E talvez a vida ainda possa ser bela...
O menor ponteiro dá outra volta
Até que tudo acabe com a foice
Ainda há muito de banal na história.
Bebi o que pude, a boca ainda seca
A soberba nunca sobrepôs tanto a beleza...
A noite é uma criança que se tornou velha
Mas talvez a vida ainda seja bela.
Há muitos espelhos e flashes lá fora
Mas há pouquíssimos bons ouvidos
Sou grato por todos à minha volta
Mas confesso que ainda estou sozinho.
Ela sabe a quem escrevi, mas sabe fingir
Olhos tão expressivos que pensamentos podia ouvir...
Meu melhor amigo me condena fraco, não nega
Mas talvez a vida ainda seja bela.
Deixo meu boa noite à todos
E que o mundo siga seu melhor rumo
Raiva e rancor não me ajudaram nem um pouco
Só me mostraram o quanto o ego é imaturo...
Eu queria apenas uma vez me considerar certo
Mas só vejo que há menos amigos por perto.
Amar a si mesmo é difícil, mas é o que resta
E talvez a vida ainda possa ser bela...
quinta-feira, 7 de maio de 2015
Está chegando lá...
Eu tenho escrito coisas para mim
Isso tem lá algum sentido?
O mundo está ocupado com superficialidades
Não se dá ao luxo a nada a ser lido
Não me acho bom demais para o mundo
Mas suportá-lo é cada vez mais difícil
E parece que mesmo depois de tudo
Era mentira aquele final prometido
Aquele... em que não estou sozinho.
Hipocrisia corre em minhas veias
Da mesma forma que em todos os outros
Mas não coloco-a sobre si mesma
Aceito sua existência e meu gosto
Em não ser o modelo tão imposto
E que todos pensam seguir...
Quanto pior o pecado mais alto é dita a prece
E as igrejas estão cheias de gritos senis
E o motivo, sempre se esquece...
Eu não sei onde você vê beleza
Eu sei que há, ver já fui capaz
Mas não há mais motivos pra comemorar
Todo idiota lá fora é cheio de certeza
E eu começo a temer, contra a correnteza
"Como e onde é que vou acabar?"
Mais um caído no canto do bar?
Sentado no meio-fio cheio de avareza
Esperando minha paz virem tomar...
Eles fazem piadas sobre não ter atenção
Por que a tem para dar e vender
Eles não vêem cada maldito anoitecer
Como mais um pesadelo de solidão
Se alguém acompanhasse o que escrevo
Veria que morro pelo mesmo erro cometer
Pois também nunca abriguei outro coração
Pois nunca fui digno de aceitação
Ou nenhum pareceu merecer.
"O que espera da vida?", perguntei
Agora estou na mesma linha de fogo
Mas cada linha escrita em desgosto
Alivia o vazio naquilo que me tornei
O prazer é raro, whisky cheio d'água
Tenho mais que muitos, descontente
A barriga está cheia, vazia está a mente
E não há mais sentido em nada...
É egoísmo por fim à tudo o que se sente?
Isso tem lá algum sentido?
O mundo está ocupado com superficialidades
Não se dá ao luxo a nada a ser lido
Não me acho bom demais para o mundo
Mas suportá-lo é cada vez mais difícil
E parece que mesmo depois de tudo
Era mentira aquele final prometido
Aquele... em que não estou sozinho.
Hipocrisia corre em minhas veias
Da mesma forma que em todos os outros
Mas não coloco-a sobre si mesma
Aceito sua existência e meu gosto
Em não ser o modelo tão imposto
E que todos pensam seguir...
Quanto pior o pecado mais alto é dita a prece
E as igrejas estão cheias de gritos senis
E o motivo, sempre se esquece...
Eu não sei onde você vê beleza
Eu sei que há, ver já fui capaz
Mas não há mais motivos pra comemorar
Todo idiota lá fora é cheio de certeza
E eu começo a temer, contra a correnteza
"Como e onde é que vou acabar?"
Mais um caído no canto do bar?
Sentado no meio-fio cheio de avareza
Esperando minha paz virem tomar...
Eles fazem piadas sobre não ter atenção
Por que a tem para dar e vender
Eles não vêem cada maldito anoitecer
Como mais um pesadelo de solidão
Se alguém acompanhasse o que escrevo
Veria que morro pelo mesmo erro cometer
Pois também nunca abriguei outro coração
Pois nunca fui digno de aceitação
Ou nenhum pareceu merecer.
"O que espera da vida?", perguntei
Agora estou na mesma linha de fogo
Mas cada linha escrita em desgosto
Alivia o vazio naquilo que me tornei
O prazer é raro, whisky cheio d'água
Tenho mais que muitos, descontente
A barriga está cheia, vazia está a mente
E não há mais sentido em nada...
É egoísmo por fim à tudo o que se sente?
Not Dark Yet - Bob Dylan
Sombras caindo, fiquei por aqui o dia inteiro.
Muito quente para dormir, o tempo fugindo.
Sinto como se a minha alma tivesse se transformado em aço,
Ainda tenho cicatrizes que o Sol não curou.
Nem mesmo há espaço suficiente para estar em qualquer lugar,
Não está escuro ainda, mas está chegando lá.
Meu senso de humanidade anda indo pelo ralo.
Atrás de cada beleza, tem existido algum tipo de dor.
Ela escreveu-me uma carta e a fez tão gentilmente,
Colocou nas palavras aquilo que sentia.
Não entendi por que deveria me importar,
Não está escuro ainda, mas está chegando lá.
Estive em Londres e na festiva Paris,
Segui o rio e cheguei ao mar,
Estive na profundeza de um mundo repleto de mentiras.
Não procuro nada nos olhos de ninguém,
Às vezes meu fardo parece ser mais do que posso suportar,
Não está escuro ainda, mas está chegando lá.
Nasci aqui e morrerei aqui, contra a minha vontade.
Sei que parece que estou seguindo em frente, mas continuo aqui.
Cada nervo de meu corpo está tão ocioso e entorpecido,
Nem mesmo lembro do que estava fugindo quando vim para cá,
Nem sequer ouvi um murmúrio de uma oração,
Não está escuro ainda, mas está chegando lá.
segunda-feira, 4 de maio de 2015
Tangled Up in Feet
Ela estava sentada no ponto de ônibus vazio
Fechei os olhos contra o vento cínico e frio
Queria fugir também dos olhares pelo caminho
Eram mesmo dela aqueles cabelos de vinho?
Sete e um quarto, ainda posso ouvir os passos
Dos pés da manhã apressados.
Ela me olhava do outro lado da rua
Enquanto eu cruzava a calçada, cabisbaixo
A vergonha só me deixou olhá-la por três vezes
Levantava pouco a cabeça, vigiado
Por quantas ela me permitiria tais prazeres,
Entre os pés da manhã apressados?
Eu a conheço? Poderia conhecê-la?
Me faz lembrar as belas garotas que nunca tive
Terrível é a imaginação que em mim vive
Me fará estar no mesmo lugar e hora, no dia seguinte
Para saber a direção daqueles olhos vidrados
Entre os pés da manhã apressados.
Dizem que ela já tem um amor, em algum lugar
Não me dei o trabalho de procurar fontes
Eu poderia ler aqueles lábios de longe
Mas essa dúvida ainda não quero matar...
Entre as verdades, mentiras, amigos e seus espaços
Entre os pés da manhã apressados.
Dizem que isso não presta, não serve
A razão sabe que a obsessão é um erro
Qual a diferença entre esperança e desespero?
Se Deus existe, sabe que não faço preces...
A utopia faz mais sentido que este mundo errado
Na minha face molda sorrisos
Cada olhar ganho é outra razão para se estar vivo
Mas me fará deixar o próprio amor passar, ignorado
Entre os pés da manhã apressados.
Fechei os olhos contra o vento cínico e frio
Queria fugir também dos olhares pelo caminho
Eram mesmo dela aqueles cabelos de vinho?
Sete e um quarto, ainda posso ouvir os passos
Dos pés da manhã apressados.
Ela me olhava do outro lado da rua
Enquanto eu cruzava a calçada, cabisbaixo
A vergonha só me deixou olhá-la por três vezes
Levantava pouco a cabeça, vigiado
Por quantas ela me permitiria tais prazeres,
Entre os pés da manhã apressados?
Eu a conheço? Poderia conhecê-la?
Me faz lembrar as belas garotas que nunca tive
Terrível é a imaginação que em mim vive
Me fará estar no mesmo lugar e hora, no dia seguinte
Para saber a direção daqueles olhos vidrados
Entre os pés da manhã apressados.
Dizem que ela já tem um amor, em algum lugar
Não me dei o trabalho de procurar fontes
Eu poderia ler aqueles lábios de longe
Mas essa dúvida ainda não quero matar...
Entre as verdades, mentiras, amigos e seus espaços
Entre os pés da manhã apressados.
Dizem que isso não presta, não serve
A razão sabe que a obsessão é um erro
Qual a diferença entre esperança e desespero?
Se Deus existe, sabe que não faço preces...
A utopia faz mais sentido que este mundo errado
Na minha face molda sorrisos
Cada olhar ganho é outra razão para se estar vivo
Mas me fará deixar o próprio amor passar, ignorado
Entre os pés da manhã apressados.
sábado, 28 de março de 2015
Frestas
Mais uma tarde cinza de Sábado
Mais um sentimento frio que se esvai
Diferente do ar morno que não sai
Nada há nos últimos noticiários
Nada nas ondas empoeiradas do rádio
Nada nos revolucionários "zero/um" da rede
Enquanto as gotas de chuva apostam corrida na parede.
Não há de haver algo errado
Enquanto procuro soluções, obcecado
"Foi culpa minha? Foi culpa tua?"
Alguém tem de admitir o mal resultado
A solidão deita na sua cama, pede cobertor
Você lhe entrega seu corpo pra quebrar um galho
Não sentir nada pode ser melhor que a dor?
Há muito para se fazer lá fora
Mas derreterá teu corpo de açúcar
Tão inconveniente quanto a vida pode ser
É caminhar sozinho na chuva
Já estamos fartos de tantas histórias, tão duras
Fartos do que não se resolve, não nos deixa viver
Como as gotas que correm só para desaparecer
Das frestas das pálpebras, pras frestas das ruas.
Não há de haver algo errado...
É só mais uma tarde cinza de Sábado.
Mais um sentimento frio que se esvai
Diferente do ar morno que não sai
Nada há nos últimos noticiários
Nada nas ondas empoeiradas do rádio
Nada nos revolucionários "zero/um" da rede
Enquanto as gotas de chuva apostam corrida na parede.
Não há de haver algo errado
Enquanto procuro soluções, obcecado
"Foi culpa minha? Foi culpa tua?"
Alguém tem de admitir o mal resultado
A solidão deita na sua cama, pede cobertor
Você lhe entrega seu corpo pra quebrar um galho
Não sentir nada pode ser melhor que a dor?
Há muito para se fazer lá fora
Mas derreterá teu corpo de açúcar
Tão inconveniente quanto a vida pode ser
É caminhar sozinho na chuva
Já estamos fartos de tantas histórias, tão duras
Fartos do que não se resolve, não nos deixa viver
Como as gotas que correm só para desaparecer
Das frestas das pálpebras, pras frestas das ruas.
Não há de haver algo errado...
É só mais uma tarde cinza de Sábado.
terça-feira, 24 de março de 2015
Verdade
Desculpe-me o gosto amargo na boca
Ao não atender as novas velhas expectativas
Há mais no céu da noite do que se pode ver
O que espera que eu veja em você?
Espera que nunca mais sofra?
Espera o quê da vida?
Por mais que haja cuidado
E por mais que haja necessidade
Manusear a verdade pode lhe queimar os dedos
Olhos, lábios, o mundo inteiro
E uma vez que tenha o espírito queimado
Não há nele pele que cicatrize e descasque.
Não foi por mal, nunca o é
Não sou bom em dizer o que quer ouvir
Não sou bom em dizer nada
Pois o que digo é tudo o que escapa
É pensamento qualquer
Que nunca deveria sair.
Quem sabe tudo finalmente acabe
Quem sabe todo o sofrimento cesse
A vida nos suporte ao invés de termos de suportá-la
E não precisemos mais de vil palavras
Mas, afinal, quem é que sabe?
Se acredita, pode ainda agarrar-se às tuas preces...
Ao não atender as novas velhas expectativas
Há mais no céu da noite do que se pode ver
O que espera que eu veja em você?
Espera que nunca mais sofra?
Espera o quê da vida?
Por mais que haja cuidado
E por mais que haja necessidade
Manusear a verdade pode lhe queimar os dedos
Olhos, lábios, o mundo inteiro
E uma vez que tenha o espírito queimado
Não há nele pele que cicatrize e descasque.
Não foi por mal, nunca o é
Não sou bom em dizer o que quer ouvir
Não sou bom em dizer nada
Pois o que digo é tudo o que escapa
É pensamento qualquer
Que nunca deveria sair.
Quem sabe tudo finalmente acabe
Quem sabe todo o sofrimento cesse
A vida nos suporte ao invés de termos de suportá-la
E não precisemos mais de vil palavras
Mas, afinal, quem é que sabe?
Se acredita, pode ainda agarrar-se às tuas preces...
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
Meu amigo
"Às vezes olho para o chão e mesmo apoiado a ele, sinto-me voando. Questiono-me se foi um sonho ou talvez um insight. Não, a verdade é que foi a metafísica mostrando-me seus detalhes mais singelos."
"O Fracasso é a Resolução do Sucesso."
Nodóclisis
"O Fracasso é a Resolução do Sucesso."
Nodóclisis
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Salvação
O asfalto quente que lhe queima a sola dos pés
O mormaço sufocante que lhe segue aonde estiver
Até as sombras já fugiram para um lugar mais fresco
Já que dizem que árvores em pé não importam e custam dinheiro
A nuvem que lhe protege de se queimar é a mesma que lhe molha
E não tem mais salvação lá fora.
Fiquei parado esperando a chuva passar
Olhando as janelas que não se davam o luxo de me olhar
Ela não cessou, pensava em sair e ir em frente
"É só água caindo do céu, no fim, realmente
Não há nada de romântico em estar molhado e solitário agora"
E não tem mais salvação lá fora.
A chuva não parou, mas o Sol apareceu para ofuscar visão
Para que a umidade trancasse o calor em meu corpo como prisão
Mas então alguém passou e acenou do outro lado da rua
Não esperava tal cena, muito menos da bela presença tua
Já em casa, lembro do sorriso que se prendeu à minha boca e memória
E que, talvez, ainda há salvação lá fora.
O mormaço sufocante que lhe segue aonde estiver
Até as sombras já fugiram para um lugar mais fresco
Já que dizem que árvores em pé não importam e custam dinheiro
A nuvem que lhe protege de se queimar é a mesma que lhe molha
E não tem mais salvação lá fora.
Fiquei parado esperando a chuva passar
Olhando as janelas que não se davam o luxo de me olhar
Ela não cessou, pensava em sair e ir em frente
"É só água caindo do céu, no fim, realmente
Não há nada de romântico em estar molhado e solitário agora"
E não tem mais salvação lá fora.
A chuva não parou, mas o Sol apareceu para ofuscar visão
Para que a umidade trancasse o calor em meu corpo como prisão
Mas então alguém passou e acenou do outro lado da rua
Não esperava tal cena, muito menos da bela presença tua
Já em casa, lembro do sorriso que se prendeu à minha boca e memória
E que, talvez, ainda há salvação lá fora.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
Os Fatos
Você vê sorrisos, eu vejo palidez
Você ouve elogios, mas só ouço o silêncio
Não estamos no mesmo lugar do espaço e do tempo
Ou pecamos dia-a-dia em sensatez?
Você lê poesias e histórias pelas ruas
Mas só vejo concreto, asfalto, tijolos furados
A incredulidade segue em cada um de meus passos
E você quer ser seguido com suas lições fajutas.
Provavelmente não serei o mais feliz
E você não será o mais sábio mestre, como espera
Você se contradiz em cada uma de suas quimeras
Enquanto vivo sem sonhos, como falso aprendiz.
Cada um abraça o que pode para viver
Para que o peso da vida não quebre suas costas
O que abraço é raro, vai e nem sempre volta
Você tenta convencer os outros para, a si mesmo, convencer.
É claro que sinto falta de minhas fantasias
De meus desejos infantis e de todo o sentido
Era muito mais fácil e singular estar vivo
Mas entenda que não suporto nossa simultânea afasia.
Ainda se não houvesse o meu veneno austero
Nem o seu descaso à tudo que lhe passa à vista
Você julga inexperiente quem não se arrisca
Eu lhe julgo hipócrita, tolo e cego.
Viveremos assim nossos futuros dias?
Buscando convencer um ao outro do que é real?
Creio que nos afastaremos, ao mais natural
Para que o ódio não consuma, por fim, nossas vidas.
Você ouve elogios, mas só ouço o silêncio
Não estamos no mesmo lugar do espaço e do tempo
Ou pecamos dia-a-dia em sensatez?
Você lê poesias e histórias pelas ruas
Mas só vejo concreto, asfalto, tijolos furados
A incredulidade segue em cada um de meus passos
E você quer ser seguido com suas lições fajutas.
Provavelmente não serei o mais feliz
E você não será o mais sábio mestre, como espera
Você se contradiz em cada uma de suas quimeras
Enquanto vivo sem sonhos, como falso aprendiz.
Cada um abraça o que pode para viver
Para que o peso da vida não quebre suas costas
O que abraço é raro, vai e nem sempre volta
Você tenta convencer os outros para, a si mesmo, convencer.
É claro que sinto falta de minhas fantasias
De meus desejos infantis e de todo o sentido
Era muito mais fácil e singular estar vivo
Mas entenda que não suporto nossa simultânea afasia.
Ainda se não houvesse o meu veneno austero
Nem o seu descaso à tudo que lhe passa à vista
Você julga inexperiente quem não se arrisca
Eu lhe julgo hipócrita, tolo e cego.
Viveremos assim nossos futuros dias?
Buscando convencer um ao outro do que é real?
Creio que nos afastaremos, ao mais natural
Para que o ódio não consuma, por fim, nossas vidas.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
Wot's... uh the deal - Pink Floyd
O Céu mandou a terra prometida
Tudo parece bem de onde eu estou
Porque eu sou o homem no lado de fora olhando para dentro.
Esperando no primeiro degrau
Mostre-me onde a chave é guardada
Aponte-me o caminho certo
Porque é hora...
De me deixar sair do frio e entrar
Transforme o meu chumbo em ouro
Porque há um vento gelado soprando na minha alma
E eu acho que eu estou ficando mais velho...
Mostre-me a grana
Qual é ...hã, o acordo?
Tenho que aprontar para a próxima refeição
Tente acompanhar o giro da roda.
Milha após milha, pedra após pedra
Você se vira para falar mas você está só
A milhões de milhas de casa você está só.
Então me deixar sair do frio e entrar
Transforme o meu chumbo em ouro
Porque há um vento gelado soprando na minha alma
E eu acho que eu estou ficando mais velho.
O brilho do fogo à luz de velas com ela ao meu lado
Se ela quiser nós nunca mais nos moveremos...
Alguém mandou a terra prometida
Bem, eu a agarrei com as duas mãos
Agora eu sou o homem no lado de dentro olhando para fora.
Ouça-me gritar:
"Venha para dentro!"
Quais as novas? Onde você esteve?
Porque não há mais vento na minha alma
E eu fiquei mais velho.
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