Ela estava sentada no ponto de ônibus vazio
Fechei os olhos contra o vento cínico e frio
Queria fugir também dos olhares pelo caminho
Eram mesmo dela aqueles cabelos de vinho?
Sete e um quarto, ainda posso ouvir os passos
Dos pés da manhã apressados.
Ela me olhava do outro lado da rua
Enquanto eu cruzava a calçada, cabisbaixo
A vergonha só me deixou olhá-la por três vezes
Levantava pouco a cabeça, vigiado
Por quantas ela me permitiria tais prazeres,
Entre os pés da manhã apressados?
Eu a conheço? Poderia conhecê-la?
Me faz lembrar as belas garotas que nunca tive
Terrível é a imaginação que em mim vive
Me fará estar no mesmo lugar e hora, no dia seguinte
Para saber a direção daqueles olhos vidrados
Entre os pés da manhã apressados.
Dizem que ela já tem um amor, em algum lugar
Não me dei o trabalho de procurar fontes
Eu poderia ler aqueles lábios de longe
Mas essa dúvida ainda não quero matar...
Entre as verdades, mentiras, amigos e seus espaços
Entre os pés da manhã apressados.
Dizem que isso não presta, não serve
A razão sabe que a obsessão é um erro
Qual a diferença entre esperança e desespero?
Se Deus existe, sabe que não faço preces...
A utopia faz mais sentido que este mundo errado
Na minha face molda sorrisos
Cada olhar ganho é outra razão para se estar vivo
Mas me fará deixar o próprio amor passar, ignorado
Entre os pés da manhã apressados.
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