Não leve a mal o olhar fechado
Nem mesmo o silêncio em aberto
O cuidadoso teme ser descuidado
Teme então tudo o que há por perto
Cínico, se protege do que é falso
Mas abandona o que tem de singelo
Como fogo que, por escolha, se apaga
Antes que a chuva fria o faça
Sem aquecer quem lhe carece em inverno...
Que venha então mais calma
Mais chamas fátuas em bálsamo sincero
Que pensamento não lhe mate a alma
E água fria não afogue o que tem de honesto.