segunda-feira, 19 de julho de 2010

Lucy in the sky with diamonds...


Puxa, veja que luzes coloridas
Estão vindo do Sol
Isso é um sonho surrealista
Ou me ofereceram algum tipo
de Mágico pó?
Eu vejo elefantes voadores
Eu vejo feijões saltadores
Eu vejo em seu cabelo, flores
Tudo belo ao som de um Sitar
Mas que lugar!
Pra que se preocupar?
Não há trabalho, não há medo
Não há sociedade, não há tempo
E viver é o suficiente
Ora, mas... o que é isso?
Ah, uma televisão...
Vejamos o que acontece
Apertando esse botã...
"Brasil sai da copa, mas a vitória é certa em 2014..."click!
"...Veja com exclusividade o goleiro do Flamengo, Bruno
dormindo no avião a caminho da prisão
num sono profundo...
Apenas NÓS conseguimos tal gravação!..."click!
"...aumenta o número de mortos nas enchentes...
não há moradias para os sobreviventes!..."click!
"...eleições 2010, vote em Fulano para President..."click!
"...compre isso, nós sabemos do que você precisa!"click...
MAS QUE DIABOS FOI ISSO?
Onde estão as cores que vi agora?
Está acabando o efeito do pó Mágico...
Mas que fim trágico!
Tudo desmorona nessa hora
O preço de voltar não vale
A passagem de ida a tal paraíso
Agora sei quem são meus inimigos
Estou novamente do lado de fora
Mas, será que, a própria realidade
Não é a pior de todas as drogas?

domingo, 18 de julho de 2010

Nem tudo se deve discutir


Você diz que algo é assim
E que o "assim" já deixou de ser
Verdades indiscutíveis
Dogmas irreversíveis
De alguém que pouco vê
Então você diz
Que o cego sou eu
Eu sou o cabeça fechada
Eu não tenho povo
Nem pátria
E que ei de arder num fogo
Um fogo que queima almas
Ora, vejam só!
Você em si faz tanto sentido
Quanto a história de um ser convencido
Poder matar àqueles
Que não o seguem à luz do Sol
E que não temem seu
Deus, amigo
Bom, é melhor eu ir embora
Nossos egos não deixarão
Que um perca nessa pobre história
Nessa discussão monótona
De algo que nenhum de nós
Realmente compreende...
Ah, certo... você compreende!
Certo, amigo crente
Até amanhã, ou melhor
Até quando nos tornemos
Civilizados

sábado, 17 de julho de 2010

Morte, psicológica?


Veja que belo carro funerário
Vem dobrando a esquina...
Enquanto a brisa, lenta e fina
Vem assobiar o canto do dia
Frio e sem compasso
Acompanhando as rodas velhas
Daquele negro carro

Enquanto ele vai a frente
Lento, para evitar
BrUsCoS movimentos
É acompanhado por tanta gente
Que espera a hora chegar
Chegar a hora de chegar
Ao lugar marcado
Às tais horas
Onde será celebrado
Por um velho presbítero
O fim do início
Da vida de algum conhecido
Do povo que vem seguir
O carro de metal negro
Fundido

Quanto alvoroço!
Quanto sussurro e quanto
Choro...
Quanto medo e quanto temor
De que um dia o carro negro
Venha levar o nosso corpo
Num mundo onde tudo que é vivo
Também é perecível
Era de se esperar maior
Compreensão
Na hora em que amigos,
Parentes e conhecidos
Vêm a nos deixar
Bem, que fácil é falar!
Espero estar assim, tão calmo
Na hora em que aquele belo carro
Estiver dobrando a última esquina
Vindo me buscar

terça-feira, 13 de julho de 2010

"It's no secret at all..."

Nada mais a se dizer
O vento ainda plana
Não há nada a se esperar
Da minha cabeça insana
Se o mundo ainda gira
É por que nada aconteceu
E que você ainda está dormindo
Calma em sua cama

Se você esperava ver
Um dia o Sol se apagar
Ou que o arco-íris em preto e branco
Te "leva-se" a outro lugar
Desculpe minha amiga
Mas vai se decepcionar
O paraíso não existe
Todo dia
No seu doce lar

Feliz é quem menos sabe
Não há segredos à inocência
Viva a vida intensamente
Sem se esquecer das próprias doenças
Feliz é quem nada espera
Feliz é quem não tem crença

Se a idade está te roubando
Todos os seus sentidos
Não há por que com Deus brigar
É o preço em se estar vivo
E a cada fio de cabelo que se cai
Cada centímetro amarelo em seus dentes
E cada frequência de som ausente
É um motivo pra se viver mais
Pra tornar o preço de viver
Bem pago, suficiente

Não há segredos em nada disso
Não há segredos em ser diferente