segunda-feira, 29 de junho de 2015

Dores poéticas

Quem dera poesia pudesse sanar os piores males
De tudo o que a carne ainda quente pode sofrer
Desde os demônios da mente em seus disfarces
Até os vermes do tempo sob a pele a lhe roer
Mas essa caprichosa dama acaba, cedo ou tarde
Como bem sabes, realçando peripécias do viver
Trazendo dores do passado que não morre, saudades
Lembrando aos vivos que estes ainda têm de morrer.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

"Dude, I totally miss you..."

Talvez você ainda vem aqui. Eu espero que sim. Se vem, saberá que dedico essa gravação a você, a falta que você e tua amizade me fazem. É do seu álbum preferido, da minha canção preferida.
Fique bem, cuide-se, sempre...

Pink Floyd Cover - Pigs on the Wing (1 & 2)

domingo, 21 de junho de 2015

Interesse(ante) atenção

Acho que meus valores andam invertidos
O que sempre achei importante
Já é puro desperdício
Entre tantos sacrifícios
Ao buscar ser interessante.

Não adianta rima, letra ou poema
Sendo simples não se rouba cena
"Seja você mesmo, mas troque o sorriso
Deixe em casa a parte que não vale a pena."
E eu que achava que minha alma era maior que isso...

Alguns saem cantando nas ruas como idiotas
Berrando o que pensam e sabem
Por alguma atenção em esmola
A busca por compreensão está em toda parte
E há todo tipo de desespero lá fora.

Devo aceitar os fatos, aceitarei o que vivo
Pois sei que perco muito tempo
Com quem idealizo
Sendo injusto à todo momento
Ao esquecer de quem se importa comigo...

sexta-feira, 19 de junho de 2015

A Peça

Eu vejo a sua foto, sem aviso
Sinto os primeiros sinais de desejo
Onde foi parar o meu rancor, meu sossego
Que até há pouco dominava meus sentidos?
Em meus olhos lhe eternizo
Como de tantos outros, vidrados
Você sofre, mas ainda tem a sorte ao teu lado
Pois por mais que haja coração quebrado
Desejo alheio e companhia sempre lhe serão abrigo
Diferente da maioria dos vivos
Que apenas pela morte são acompanhados
A ironia da vida e seus tortos traços
A beleza morre, mas vence fortes e fracos
A tua me vence, sem me matar o desejo ardido
Mas também não morrerei por causa disso
Meus impulsos cessarão no andar dos passos
Eu lhe esquecerei o rosto, como tantos outros retratos
Me protegendo do que me mata enquanto sinto
Enquanto meu personagem anda à beira do abismo
Até o próximo distante e não ensaiado ato
Até estar, outra vez, apaixonado.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Forma de vida

Ontem vi a grande engrenagem começar
A girar à medida que o Sol surgia
O mecanismo dava movimento ao lugar
Homem e máquina avançavam ao nascer do dia
Queria ver o astro subir no horizonte, seu altar
Mas o correr dos ponteiros não me permitia
Eu devia acompanhar, sem muito pensar
O relógio da nossa "superior" forma de vida.

O frio da manhã junina parecia me abraçar
Invadia respiração e toda loja que se abria
A pouca vegetação era coberta em névoa do ar
Que se misturava ao vapor que toda boca, escape, bueiro expelia
Além dos gases que passam os dias a nos matar
Dos facilitadores de nossa artificial harmonia
Seria eu outro homem ou outra máquina a andar
Sobre essa terra de "superior" forma de vida?

O frio foi condenado e pedido a se retirar
Pelas almas entre as ferragens também vazias
Que não viram o belo tom branco sobre os campos avançar
E todo o lado bom da balança que se equilibra
Que possibilita toda e qualquer engrenagem girar
De toda a arquitetura natural e viva
Que deixamos de lado, sem qualquer cuidado
Pela nossa "superior" forma de vida.

O dia seguiu, como qualquer outro
E acabou com sua costumeira fadiga
O céu fechou, o vento uivou mais um pouco
O Sol morreu enquanto na rua eu sorria
A noite, silenciosa e fria, acalmou os loucos
Que correm por sobrevivência e comodidade, dia após dia
Pois não podem encontrar
Forma melhor de continuar
Que a nossa "superior" forma de vida.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Os piores momentos

Não há muito a se dizer
O tempo, febril, ainda corre
De todas as medidas, dessa vez
É a que dita a minha sorte
Se ansiedade não me matar a alma
Talvez sereno eu ainda me torne
Mas o relógio se tornou arma
Contra a testa, como revólver
Não olho pros lados, devo ir para casa
Pois na praça, gravaram na forca meu nome
Sou o criador de minha própria ameaça
Me afoguem logo a angústia nas águas da morte.

domingo, 7 de junho de 2015

Fuga

Quanto tempo eu perdi
E quanto tempo ainda perco
Por me importar demais ao sentir
O pior em tudo que vejo.
Não procuro misérias por aí
Mas há muito que não entendo
O que os olhares querem de mim
Por que devo sentir tanto medo?

Não é segredo que palavras podem ferir
E acabo sangrando quase todo dia
Não queria me importar com tudo o que todo mundo diz
Só me sobra fugir, só me sobra fugir...

Eu procuro mais cuidado
Em outros bons ouvidos
Mas encontro mais bocas de sapo
Cheias de moscas e mosquitos
Talvez eu esteja errado
E talvez por isso não vivo
Mas sempre que olho pros lados
Tudo é fútil, inútil, vazio...

Não há sentido em coisa alguma por aqui
Não há invisível balança da justiça
Não queria ver tanto narcisismo e tanta hipocrisia
Só me resta fugir, dia após dia...

E então se vê em outro buraco
Ignorado e incompreendido
Pois o mundo não tem paciência
Sinceridade ou qualquer compromisso
Se eu encontrar outro nesse estado
Outro alguém a chamar de amigo
Não deixarei que saia do meu lado
Nunca mais, sem mais sacrifícios.

Não há sentido em coisa alguma por aqui
E acabo sangrando quase todo dia
Não queria me importar com tudo o que todo mundo diz
Só me resta fugir, vida vazia...
Dia após dia...

Fuga - Miquéias DM (Composição)