sábado, 28 de março de 2015

Frestas

Mais uma tarde cinza de Sábado
Mais um sentimento frio que se esvai
Diferente do ar morno que não sai
Nada há nos últimos noticiários
Nada nas ondas empoeiradas do rádio
Nada nos revolucionários "zero/um" da rede
Enquanto as gotas de chuva apostam corrida na parede.

Não há de haver algo errado
Enquanto procuro soluções, obcecado
"Foi culpa minha? Foi culpa tua?"
Alguém tem de admitir o mal resultado
A solidão deita na sua cama, pede cobertor
Você lhe entrega seu corpo pra quebrar um galho
Não sentir nada pode ser melhor que a dor?

Há muito para se fazer lá fora
Mas derreterá teu corpo de açúcar
Tão inconveniente quanto a vida pode ser
É caminhar sozinho na chuva
Já estamos fartos de tantas histórias, tão duras
Fartos do que não se resolve, não nos deixa viver
Como as gotas que correm só para desaparecer
Das frestas das pálpebras, pras frestas das ruas.

Não há de haver algo errado...
É só mais uma tarde cinza de Sábado.

terça-feira, 24 de março de 2015

Verdade

Desculpe-me o gosto amargo na boca
Ao não atender as novas velhas expectativas
Há mais no céu da noite do que se pode ver
O que espera que eu veja em você?
Espera que nunca mais sofra?
Espera o quê da vida?

Por mais que haja cuidado
E por mais que haja necessidade
Manusear a verdade pode lhe queimar os dedos
Olhos, lábios, o mundo inteiro
E uma vez que tenha o espírito queimado
Não há nele pele que cicatrize e descasque.

Não foi por mal, nunca o é
Não sou bom em dizer o que quer ouvir
Não sou bom em dizer nada
Pois o que digo é tudo o que escapa
É pensamento qualquer
Que nunca deveria sair.

Quem sabe tudo finalmente acabe
Quem sabe todo o sofrimento cesse
A vida nos suporte ao invés de termos de suportá-la
E não precisemos mais de vil palavras
Mas, afinal, quem é que sabe?
Se acredita, pode ainda agarrar-se às tuas preces...