Eu vejo a sua foto, sem aviso
Sinto os primeiros sinais de desejo
Onde foi parar o meu rancor, meu sossego
Que até há pouco dominava meus sentidos?
Em meus olhos lhe eternizo
Como de tantos outros, vidrados
Você sofre, mas ainda tem a sorte ao teu lado
Pois por mais que haja coração quebrado
Desejo alheio e companhia sempre lhe serão abrigo
Diferente da maioria dos vivos
Que apenas pela morte são acompanhados
A ironia da vida e seus tortos traços
A beleza morre, mas vence fortes e fracos
A tua me vence, sem me matar o desejo ardido
Mas também não morrerei por causa disso
Meus impulsos cessarão no andar dos passos
Eu lhe esquecerei o rosto, como tantos outros retratos
Me protegendo do que me mata enquanto sinto
Enquanto meu personagem anda à beira do abismo
Até o próximo distante e não ensaiado ato
Até estar, outra vez, apaixonado.
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