quinta-feira, 18 de junho de 2015

Forma de vida

Ontem vi a grande engrenagem começar
A girar à medida que o Sol surgia
O mecanismo dava movimento ao lugar
Homem e máquina avançavam ao nascer do dia
Queria ver o astro subir no horizonte, seu altar
Mas o correr dos ponteiros não me permitia
Eu devia acompanhar, sem muito pensar
O relógio da nossa "superior" forma de vida.

O frio da manhã junina parecia me abraçar
Invadia respiração e toda loja que se abria
A pouca vegetação era coberta em névoa do ar
Que se misturava ao vapor que toda boca, escape, bueiro expelia
Além dos gases que passam os dias a nos matar
Dos facilitadores de nossa artificial harmonia
Seria eu outro homem ou outra máquina a andar
Sobre essa terra de "superior" forma de vida?

O frio foi condenado e pedido a se retirar
Pelas almas entre as ferragens também vazias
Que não viram o belo tom branco sobre os campos avançar
E todo o lado bom da balança que se equilibra
Que possibilita toda e qualquer engrenagem girar
De toda a arquitetura natural e viva
Que deixamos de lado, sem qualquer cuidado
Pela nossa "superior" forma de vida.

O dia seguiu, como qualquer outro
E acabou com sua costumeira fadiga
O céu fechou, o vento uivou mais um pouco
O Sol morreu enquanto na rua eu sorria
A noite, silenciosa e fria, acalmou os loucos
Que correm por sobrevivência e comodidade, dia após dia
Pois não podem encontrar
Forma melhor de continuar
Que a nossa "superior" forma de vida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário