quinta-feira, 7 de maio de 2015

Está chegando lá...

Eu tenho escrito coisas para mim
Isso tem lá algum sentido?
O mundo está ocupado com superficialidades
Não se dá ao luxo a nada a ser lido
Não me acho bom demais para o mundo
Mas suportá-lo é cada vez mais difícil
E parece que mesmo depois de tudo
Era mentira aquele final prometido
Aquele... em que não estou sozinho.

Hipocrisia corre em minhas veias
Da mesma forma que em todos os outros
Mas não coloco-a sobre si mesma
Aceito sua existência e meu gosto
Em não ser o modelo tão imposto
E que todos pensam seguir...
Quanto pior o pecado mais alto é dita a prece
E as igrejas estão cheias de gritos senis
E o motivo, sempre se esquece...

Eu não sei onde você vê beleza
Eu sei que há, ver já fui capaz
Mas não há mais motivos pra comemorar
Todo idiota lá fora é cheio de certeza
E eu começo a temer, contra a correnteza
"Como e onde é que vou acabar?"
Mais um caído no canto do bar?
Sentado no meio-fio cheio de avareza
Esperando minha paz virem tomar...

Eles fazem piadas sobre não ter atenção
Por que a tem para dar e vender
Eles não vêem cada maldito anoitecer
Como mais um pesadelo de solidão
Se alguém acompanhasse o que escrevo
Veria que morro pelo mesmo erro cometer
Pois também nunca abriguei outro coração
Pois nunca fui digno de aceitação
Ou nenhum pareceu merecer.

"O que espera da vida?", perguntei
Agora estou na mesma linha de fogo
Mas cada linha escrita em desgosto
Alivia o vazio naquilo que me tornei
O prazer é raro, whisky cheio d'água
Tenho mais que muitos, descontente
A barriga está cheia, vazia está a mente
E não há mais sentido em nada...
É egoísmo por fim à tudo o que se sente?

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