Você vê sorrisos, eu vejo palidez
Você ouve elogios, mas só ouço o silêncio
Não estamos no mesmo lugar do espaço e do tempo
Ou pecamos dia-a-dia em sensatez?
Você lê poesias e histórias pelas ruas
Mas só vejo concreto, asfalto, tijolos furados
A incredulidade segue em cada um de meus passos
E você quer ser seguido com suas lições fajutas.
Provavelmente não serei o mais feliz
E você não será o mais sábio mestre, como espera
Você se contradiz em cada uma de suas quimeras
Enquanto vivo sem sonhos, como falso aprendiz.
Cada um abraça o que pode para viver
Para que o peso da vida não quebre suas costas
O que abraço é raro, vai e nem sempre volta
Você tenta convencer os outros para, a si mesmo, convencer.
É claro que sinto falta de minhas fantasias
De meus desejos infantis e de todo o sentido
Era muito mais fácil e singular estar vivo
Mas entenda que não suporto nossa simultânea afasia.
Ainda se não houvesse o meu veneno austero
Nem o seu descaso à tudo que lhe passa à vista
Você julga inexperiente quem não se arrisca
Eu lhe julgo hipócrita, tolo e cego.
Viveremos assim nossos futuros dias?
Buscando convencer um ao outro do que é real?
Creio que nos afastaremos, ao mais natural
Para que o ódio não consuma, por fim, nossas vidas.
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