Sinto falta da boa e velha segurança
De ter um objetivo, de ser útil, ter um caminho
De estar no lugar certo, quase na hora certa
Mas ainda em algum lugar.
Sinto falta de não me preocupar
Com a vida e sua total falta de sentido
De me empolgar com jogos, objetos, ilusões
Que cedo ou tarde iria a todos descartar.
Há algum tempo assim me sinto
Sem saber bem o que preciso procurar
Já não gasto dinheiro tentando fugir disso
Como os bêbados daquela esquina de silenciosas lamentações
Tratando a todos como seus amigos
Para os seus demônios desesperados acalmar
Para ainda se sentirem vivos.
Sinto falta de todo aquele misticismo
Das coisas espontâneas que costumavam me visitar
Dos fins de tarde aos inícios de paixões
Os atuais fins dos dias e mais toques frívolos.
Onde estão as epifanias?
Os mapas mentais do caminho a trilhar?
O sabor das conquistas, de fazer a coisa certa
De tudo o que fazia sentido...
Não é assim que as coisas costumavam ser
Não é a primeira vez que me perco
Não é a primeira vez que estou preso
Sem saber o próximo passo a ser ditado.
As boas companhias aliviam o peso dos passos
Reduzem o volume dos tiques a me perseguir
Mas enquanto meus pés estiverem pregados
Enquanto nada surgir novamente de todo o abstrato
Nada serei ou farei por aqui.
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