domingo, 2 de agosto de 2015

Casca

O que é a paixão
Se não um apreço egoísta à alheia casca?
Apreciar a beleza de uma flor pelas pétalas
Ignorando os espinhos de sua criação
O primeiro toque pode não ferir-te a mão
E irá inebriar-te pelo perfume que exala
E enquanto outra doce noite não acabar
Sente febril vontade de, por capricho, tomá-la
Garantindo a si mesmo não sangrar, em vão
Pois sempre sangra, e a solta sem pensar
Depois de arrancá-la do abrigo, do chão
Depois de sentir os espinhos em tua pele rasa
Pois busca sempre a verdade por tua vista vaga
Mas a ignora pelas fantasias de tua imaginação...
Há imperfeições em tudo o que bem observar
A sombra sempre se molda ao que a luz não transpassa
Se não é capaz, faça um favor à flor e tua vida escassa
E não toque no que só tua vista deve tocar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário