Política, religião, humanidade, vício?
É que no fim das contas e das dívidas
Perco tempo demais me preocupando, não vivo
Uso o meio virtual por alguma mera companhia
Mas só vejo superficialidade e vidas vazias
Tua cara editada não me diz nada, não tem vida
Só me machuco com o mundo mal resolvido.
Com gente que julga demais e não oferece abrigo
Com gente que cita o que um homem disse algum dia
Mas não segue seus passos e seus princípios
Intolerância, raiva, ignorância, hipocrisia.
Vejo beleza nas ruas quando estão vazias
Sem a ansiedade e fúria do trânsito assassino
A felicidade está em quem chega primeiro vivo?
Não, no fim não há nada disso.
Os corredores nem sabem por que estão correndo
Seu problema é sempre mais sério que o alheio
Acidente é só uma remota possibilidade, frívolo.
Não confunda trabalho com limitação física
Não estacione no lugar que alguém realmente precisa
Olhe além do teu próprio umbigo
Ou arranque do pescoço bendito crucifixo
Não se venda, não se contradiga
Agora, lá fora, mil folhetos e cavaletes de lixo
Mil rostos convincentes em mil belos artifícios
Quando o desespero por mudança em tudo acredita
Quando falsos messias adentram pobres vidas
Quando o que te corrompe parece divino
Quando Deus é a própria serpente viva
Quando o homem convence com palavras que é bom
Só por ser bom com palavras, se justifica
Furemos, então, nossos olhos e ouvidos
Saberemos, então, se o homem nos salvará
Ou nos matará na escuridão e no silêncio da própria agonia.
Eu não aceitarei teu Deus goela abaixo
Eu não venderei meu voto à teu candidato
Eu não aceitarei tua ignorância por amizade
Eu não lhe julgarei por estar no caminho errado
Mas não lhe darei meu sorriso sem tua humildade.
Não me olhe assim, com negro assombro
Penso muito sobre tudo o que digo
Não se preocupe comigo, apenas respondo
O que eu penso sobre tudo isso...
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