Opinião minha de não opinar
Torna-me menos contraditório
Menos falso, menos ilusório
Que qualquer vil demagogo
Que agora está aos ares gritar.
Perco a fé nas pessoas de perto
Pois tornam o que seria "secreto"
Em algo vazio, em discórdia
Não se respeita opinião alheia
Não se dá a mão à palmatória
Todos falam em melhora
Mas ninguém precisa melhorar
Está à mostra a real face dos homens
Não no que acreditam
Mas no que não se permitem acreditar
O conceito de bem comum foi deturpado
Tua raiva, tua febre, teu sarcasmo
Tua cólera e espinhos afiados
Frutos podres do ato egoísta de disputar
Que venha então o circo de ratos
Que venha o mais sujo dos espetáculos
Já que ninguém vê por trás das cortinas
Mas todos se encantam com o teatro
Que nos apertem ainda mais os cabrestos
Nos façam lutar entre si em desespero
E aquele que vencer e encerrar o último ato
Que salve-nos de nós mesmos.
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