segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Autoretrato

Você é tão pequeno
Sim, você o é
Tão pequeno quanto um grão de areia
Às inconsistências da maré
Você até poderia deixar o vento
Te carregar sobre a Terra
E sob o Sol
Mas você teme perder o que tem
E se tornar ainda menor
Sim, você teme arriscar
Teme olhar direto nos olhos
Aos sentimentos se faz cego
Demonstra fúria para ser temido
É acusado pelo próprio ego
Ninguém o julga
Não há motivos significantes para tal
Mas as ruas se tornaram tribunais
Sua vergonha é a sentença final
O juri se levanta e sai nos sinais
O céu cinza o faz sentir só
Mas parece ser pintado só para você
A soberba te traz a atenção do mundo
Que parou só para te ver
É, você busca auto-respeito
Naqueles fora de sua cabeça
Busca admiração, franqueza
Sem ser franco com si mesmo
Então, você descobre sua pequeneza
Descobre fraqueza, insatisfação
Descobre que seu orgulho universal
Com o universo faz comparação
Então abre mão de seu luxo
Os tribunais somem, os olhares cessam
A sentença termina
E ninguém é maior que você
Mas você se sente ainda melhor
Por não precisar sem maior do que ninguém
Você olha o mundo, sereno
Vê que nada realmente importa
Mesmo que menor você fosse
O mundo então lhe olha com insignificância
Uma suave fragrância
Que nunca pareceu tão doce...

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